Coronavírus: mães mostram como ‘sobreviver’ ao trabalho em casa com crianças pequenas

Profissionais precisam inventar maneiras de entreter os pequenos

A pandemia de coronavírus fez com que algumas empresas, governo federal, estados e municípios anunciassem diversas medidas para tentar conter a transmissão da doença. Em Mato Grosso do Sul não foi diferente, funcionários do setor público e privado foram dispensados para trabalhar em casa e evitar o contato com outras pessoas. Acontece que as aulas também foram suspensas na rede municipal, estadual e privada (algumas escolas). As mães que foram realocadas para a residência e possuem criança pequena em casa estão ficando de cabelo em pé. Como é difícil fazer os pequenos entenderem que os pais estão alí, mas não podem dar atenção, vale investir em brincadeiras, jogos e até piscina.

Com o início do home office, é hora de deixar a arrumação da casa de lado e focar no desempenho profissional. Larissa Ferreira Gonzaga foi dispensada para trabalhar remoto na segunda-feira (16). A analista comercial explicou que os 4 funcionários fixos do escritório estão de home office, já os consultores de campo continuam as atividades normalmente. A funcionária fazia o expediente no escritório das 7h às 11 e das 13h às 17h, com a medida, continua no mesmo horário, mas “trabalhando bem mais”.

“Como não estamos pessoalmente a demanda aumenta, telefone toca muito mais, internet, Whatsapp, tudo ao mesmo tempo”, explica.

Enquanto um olho fica no computador, o outro fica na filha de 4 anos. As aulas na escola da pequena continuam normalmente, mas Larissa preferiu não mandar a aluna a partir desta terça-feira (17). A mãe prefere ter a criança por perto do que arriscar a contaminação pelo coronavírus. Para entreter a filha durante o trabalho vale tudo, esparrar brinquedos pela casa, assistir desenho e até pintar com tinta guache. Prevenida, a profissional comprou massinha e outros itens que pudessem ocupar a garota.

“Quando me chama para brincar eu sento um minuto no sofá e logo levanto. Vamos nos virando. No meu intervalo eu faço o almoço, dou banho nela e organizo as bagunças”.

A rotina da família começa desde cedo e a organização é fundamental para que Larissa não perca o fio da meada no desempenho. Ela está provisoriamente “instalada” no balcão na sala de casa para poder dar conta das tarefas profissionais. “Acordo às 5h então eu já vou adiantando tudo que der. Como meu marido tem comércio, não dá para ele ficar em casa. Estamos sozinhas nós duas sem data para voltar ao normal.”

“A escola deles estava fazendo uma blitz na porta aferindo temperatura e passando álcool nas mãozinhas. As atividades sempre ao ar livre, mas mesmo assim decidimos não levar mais.”

Com os pais durante tempo integral em casa a duplinha não para. A saída foi deixar os gêmeos livres para que pudessem brincar enquanto a mãe trabalha. Na casa dos pequenos, a televisão, caixas de lápis de cor e até a piscina estão liberadas – pelo menos por enquanto. Mirelle explica que ela e o marido revezam nos cuidados com os filhos, mas, acaba sempre sendo chamada mais vezes.

“As vezes acabo ficando irritada aí paro e respiro. Penso: eu sou a adulta aqui, então vamos lá”.

Enquanto o marido ficou alocado na mesa de jantar, Mirelle usa o celular para adiantar as atividades. Quando não tem jeito, ela tenta explicar de forma clara que a mãe precisa trabalhar.

“Separei o dia, hora do trabalho e hora de dar atenção para eles. Após a soneca do almoço eu já fico 100% com eles, isso facilita o trabalho do marido.”

A funcionária pública explica que a flexibilização nos horários foi a forma que encontrou de cumprir a grade de compromissos profissionais. “No órgão presencial meu horário era das 7h às 13h, aqui em casa eu vou adiantando o quanto posso enquanto os gêmeos estão dormindo.”

A sensação no final do primeiro dia com todos em casa, nesta terça-feira (17), foi de vitória. “Sobrevivemos”, brinca.