Lienca considera Deixa Falar apta a desfilar no Carnaval, mesmo com impasse judicial

A Escola de Samba vencedora do Carnaval de 2018 com Roberto Higa está envolvida em processo judicial que alega a inelegibilidade da atual gestão

Uma das escolas de samba mais promissoras do Carnaval campo-grandense, a G.R.E.S. Deixa Falar continua envolvida em processo judicial na 1ª Vara Cível de Campo Grande. Desde janeiro de 2019, há um ano, o membro fundador Alan Catharinelli pede a anulação da atual chapa, fato contestado pelo atual presidente da agremiação Francis Fabian.

A desarmonia entre os prévios e atuais dirigentes começou em novembro de 2018 quando o então atual presidente da G.R.E.S, Salvador Dódero, renunciou ao cargo e uma nova votação para nova chapa foi aberta. A eleição ocorreu no dia 16 de novembro de 2018 e, 14 dias antes, no dia 2 de novembro, o edital convocando os participantes da Escola e mudança do estatuto havia sido publicado em jornal local.

Na nova eleição, vencida por chapa única, constava o carnavalesco Francis Fabian no comando da agremiação e Lelis Rolim na vice-presidência. Entre os 11 participantes da G.R.E.S. Deixa Falar presentes na eleição, como provado em ata anexada ao processo, apenas 3 não faziam parte da chapa única vencedora.

Contestação

Ao saber do ocorrido, Alan Catharinelli, que, segundo ele, ajudou a fundar a Escola há 8 anos, resolveu deixar a agremiação no dia 9 de janeiro de 2019 e não participou do Carnaval do mesmo ano. Na época, o membro fundador fez uma nota nas redes sociais explicando a ausência. Em entrevista ao Jornal Midiamax, o sambista explicou sua versão.

“A comunidade me procurou e disse que não teve conhecimento da eleição que teve na Escola. Então foi feita uma artimanha, uma articulação. Acho que na Deixa Falar estão fazendo algo muito errado, enganando uma comunidade. As pessoas não sabiam da eleição”, disse Alan Catharinelli.

Em 25 de janeiro, o ex-membro fundador entrou na Justiça com ação de anulação de assembleia geral com tutela antecipada de urgência, alegando ilegalidade da atual gestão por não ter sido respeitado o prazo mínimo de 30 dias, não haver abertura para a criação de outra chapa para concorrência democrática e não haver comunicado interno na escola sobre a Assembléia, fatores descritos como necessários no estatuto.

O juiz Thiago Nagasawa Tanaka indeferiu a tutela antecipada de anulação, alegando que foram apresentadas afirmações genéricas que não embasam a urgência da anulação. Pelo estatuto, havia a previsão a possibilidade de convocação de assembleia geral extraordinária, com antecedência mínima de 15 dias.

“Ressalte-se, ainda, que a assembleia geral anterior, realizada em 16/11/2016, que dentre outros assuntos, também alterou o estatuto e elegeu o presidente e diretoria para o biênio de 2016 a 2018, ao que parece, não observou o prazo de 30 dias, visto que o Edital foi publicado no dia 2 de novembro de 2016, sendo a assembleia realizada na data de 16 de novembro de 2016”.

Na ação, Alan Catharinelli apresentou uma lista assinada por 92 participantes da Agremiação, membros há pelo menos 2 anos, e que buscavam esclarecimentos dos atuais dirigentes sobre as mudanças estatutárias.

O outro lado

Em entrevista ao Jornal Midiamax, um representante da G.R.E.S. Deixa Falar reiterou a legibilidade da eleição promovida em Assembléia em novembro de 2018, além de ter sido devidamente publicada como previsto no estatuto da escola.

“Se tivéssemos alguma irregularidade, não teríamos desfilado no Carnaval de 2019, nem recebido as verbas através da Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande, então está tudo certo. Não tem cabimento”, afirmou o representante da atual gestão.

O juiz Thiago Nagasawa Tanaka designou audiência de conciliação, que também não obteve sucesso e o processo segue em aberto. Um ano após a abertura da ação judicial, as testemunhas ainda serão ouvidas.

Passarela em 2020

Apesar da polêmica, o presidente da Liga da Entidades Carnavalescas de Campo Grande, Eduardo Neto reitera que, enquanto o processo não tem uma conclusão, a escola de samba G.R.E.S. Deixa Falar está apta para competir com as demais escolas na Passarela na Praça do Papa na terça-feira, 25 de fevereiro.

“O assunto está na mão da Justiça. Aqui na Liga, a documentação da Deixa Falar foi entregue dentro do previsto, a convocação, edital, ata e estatuto registrado no cartório estão corretas. Houve uma audiência sem sucesso, mas a Liga não se envolverá diretamente por se tratar de um processo que envolve uma pessoa física e um entidade filiada à Liga. Diante da decisão do Juiz que iremos nos posicionar sobre como proceder”, reiterou o presidente da LIENCA, Eduardo Neto em entrevista ao Jornal Midiamax.

No Carnaval de 2020, a G.R.E.S. Deixa Falar homenageia o músico Ricardo Teixeira com o samba-enredo intitulado “Tocando em Frente, Sou Caipira Pirapora”. A vice-campeã do Carnaval 2019 mesclará canções brasileiras, o profano e o sagrado, e fazendo menção principalmente à composição “Romaria”, clássico de 1978.

Lienca considera Deixa Falar apta a desfilar no Carnaval, mesmo com impasse judicial
Mais notícias