Campo-grandenses pedem Dia das Mulheres com menos parabéns e mais reflexões

Homenagens na data internacional incomodam algumas mulheres

No Dia das Mulheres, as campo-grandenses afirmam que trocariam as flores e parabenizações por boas reflexões sobre a realidade das mulheres na sociedade. Neste domingo (08), muitas delas foram até a Praça Bolívia para ocupar espaços públicos e aproveitar este dia com conversas construtivas.

A designer Maira Rebelo, 35, admite que fica “bem incomodada quando as pessoas vêem o dia da mulher como uma graça divina e desejam ‘nossa, que linda mulher, parabéns'”. Segundo Maira, “a gente tem que lembrar que nada é gratuito, nem o dia internacional da mulher, porque foi um dia que morreram várias mulheres em uma fábrica”.

A designer comenta que ainda devemos nos questionar sobre os salários, assédios e as sexualizações

Campo-grandenses pedem Dia das Mulheres com menos parabéns e mais reflexões
Maraci acredita que o Dia das Mulheres deveria ter mais reflexões.
Foto: Dândara Genelhú.

em torno do corpo feminino. “É um dia para a gente parar e pensar o que a gente tem hoje e o que ainda precisa, para se equiparar em questão de direitos, que é o principal”, lembra. Maira comenta que quando alguém a parabeniza pelo Dia das Mulheres, logo responde “obrigada, mas me respeite todos os dias.

A professora Maraci Fontana, 51, acredita que o dia das mulheres não é mais sinônimo de flores e bombons. “Acho que é um dia de reflexão mesmo, porque hoje nós vivemos um momento triste para várias mulheres”, lembra sobre os altos índices de feminicídio do estado.

Novas gerações, novos conceitos

Também professora, Katarini Miguel, 37, explica que tentará passar para a filha que o dia 8 de março é apenas uma data simbólica e que deve ser lembrada como um momento de análise das realidades das mulheres. “Eu quero que ela veja como militância mesmo, de luta e do que significou essa data para as mulheres”, já planeja animada as conversas futuras com a filha, de apenas um ano e seis meses.

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Maria Eduarda e a mãe, Danilza.
Foto: Dândara Genelhú.

Na fila de uma das barracas da praça, a professora Danilza Camargo, 35,  comenta que vê o Dia das

Mulheres como “um momento de fortaleza, as mulheres já perceberam que juntas elas podem mais”. Com a filha do lado, ela afirma que “é uma data muito importante e deve ser comemorado, mas não é só nesse dia”

Com apenas nove anos, Maria Eduarda mostra que já absorveu os ensinamentos de Danilza. “Acho que é um dia de luta, para lembrar dos direitos das mulheres que têm que ser conquistados”, diz a pequena.

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