Cada vez mais raras, ‘mães de 3’ se desdobram para conciliar trabalho, casa e maternidade

Simone e Glê não perderam a feminilidade mesmo com três crianças em casa

O que era habitual em outras décadas parece estar entrando em extinção. A coragem de ter três filhos em uma época que o minimalismo entra também no âmbito familiar gera comentários preconceituosos e transforma a mulher em protagonista.

Há quem ache lindo, mas diga que nunca conseguiria lidar com um trio de crianças dentro de casa. A verdade é que as “mães de três” vivem – e sobrevivem – numa eterna montanha russa recheada de deliciosas emoções. Sem perder a feminilidade, elas precisam lutar pelo lugar ao sol no ambiente corporativo, deixar o lar em ordem e servir como exemplo para os filhos.

Paciência é a palavra chave na vida de Simone Jacob Carvalho Ogatha. Recém-mãe do Benjamin Kenzo, de 3 meses, a analista de contas médicas ainda está em processo de adaptação com o novo membro da família. Não bastasse as dificuldades do puerpério, ela ainda precisa lidar com alguns comentários negativos sobre a escolha do número de gravidez, aos 25 anos.

“A decisão de engravidar do terceiro foi, no final de 2018, quando eu quis formar uma família grande após perder dois entes queridos. Minha avó teve 13 filhos e antigamente ninguém julgava.”

As 24 horas precisam ser desmembradas para dar conta de 3. Quando um chama, o outro pede alguma coisa. A situação fica ainda mais complicada quando um deles é bebê. A perspicácia da mãe é quase como um voo de super-herói: rápido, certeiro e para poucos.

“Tem pessoas que não tem filhos e não dão conta de fazer nada. As vezes eu pego o menor para dar o mamá e o do meio chama. Mas isso fez com que eles se tornassem mais independentes.”

O tempo também é precioso para Glê Schmitt. “Mãe de três; casada; futura publicitária com a mente inquieta que ama escrever; meio doida e cheia de amor” é como ela se descreve nas redes sociais. Aos 31 anos, quem vê as fotos maquiada e com o cabelo feito não imagina o quanto, as vezes, o relógio se torna o pior inimigo.

Não conseguir ser onipresente é a maior dificuldade enfrentada por essas mulheres que se realizam criando três. O ânimo para cuidar dos filhos vem dos próprios pequenos quando retribuem com um gesto de carinho.

“É muito doido pensar que tem um ser pequeno que depende do que você tá fazendo por ele. Isso tem um significado muito forte. A força vem deles.”

A chave que a executiva de vendas encontrou para continuar exalando feminilidade foi usar a maquiagem como aliada no dia a dia. Ser regrada também ajuda a esconder as olheiras quando os pequenos decidem deixar a vida da mãe de pernas para o ar.

“Vivo errando, acertando, sou superação por tudo que passei.” Para não deixar a peteca cair na vida profissional, Glê conseguiu um trabalho que lhe permite ter um horário flexível. A organização também é, segundo ela, fundamental para que tudo ocorra bem. A parte da manhã ela reserva para ficar com as crianças e, quando o job fica incompleto, ela termina depois que os filhos dormem.

Como todo ser humano, essas mães também tem fraquezas. Além das inseguranças e desafio diários, algumas vezes ainda são obrigadas a ouvir piadinhas. “Não tem TV em casa?” e “Já parou, né?” são questionamento que há muito tempo já perdeu a graça para as mulheres que optaram por 3 gestações.

Ter a casa arrumada não é a prioridade delas. Nem sempre elas vão sentir o gosto do café quentinho recém passado. Não são todos os dias que podem perder alguns minutos passando secador no cabelo. Só há uma certeza na vida de mulheres como Glê e Simone: a do orgulho pela maternidade tripla. A maior recompensa? Serem amadas 3 vezes mais.