Publicidade

Reforma da previdência ainda é estranha para jovens e divide opinião entre trabalhadores

Principal mudança será a extinção das aposentadorias por tempo de contribuição, após um período de transição

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da reforma da previdência apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional, nesta quarta-feira (20), prevê o fim da aposentadoria exclusivamente por tempo de contribuição. As outras mudanças apresentadas pelo Governo, no entanto, ainda não estão bem claras para os jovens campo-grandenses. Já a maioria dos trabalhadores de meia-idade procurou se aprofundar no assunto e divide opiniões sobre a mudança.

Larissa Martins trabalha desde os 15, mas somente aos 18 anos teve a carteira registrada como atendente de Call Center. A jovem explica que, apesar das informações sobre a reforma da previdência brotarem nos noticiários de todo o pais, o assunto ainda é um campo desconhecido para ela.

“A família fala para eu me interessar mais, só o que eu sei sobre aposentadoria ainda é bem pouco.”

Apesar de ser contribuinte há 11 anos, Kátia Rodrigues ainda compartilha de pouco conhecimento sobre aposentadoria. A trabalhadora, de 28 anos, acredita que a mudança deve prejudicar quem ganha até dois salários mínimos, mas ainda não tem opinião formada sobre as novas regras proposta por Bolsonaro.

“Não sei ao certo do que se trata, mas o que imagino é que vai prejudicar as pessoas como nós. Trabalhamos 9 horas por dia para ganhar um salário comercial. A maioria das pessoas que eu conheço ganha até 2 salários mínimos e ainda querem colocar a gente pra se aposentar mais tarde?”

A menção que Kátia faz é sobre estabelecer idades mínimas de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 para mulheres e fixar um mínimo de 20 anos de contribuição. A alteração, segundo o Governo, é uma estratégia para conter o rombo nas contas públicas.

Atualmente é possível ter o benefício por idade ou tempo de contribuição. No caso da aposentadoria por idade, a mulher deve ter 60 anos e o homem 65 anos, mas um mínimo de 15 anos de contribuição.

Para dar entrada no benefício por tempo, não existe uma idade mínima. Mulheres precisam ter 30 anos de contribuição e homens 35 anos.

Pelas regras atuais, o educador de barbeiro Átilla Carmona se aposentaria aos 52 anos, já que é contribuinte desde os 17 anos. Caso aprovada a proposta, essa idade sobe para os 65 anos – uma diferença de 13 anos a mais.

A mudança, segundo o profissional, é necessária para o país. Na opinião de Carmona, as alterações devem servir para benefício de um contexto geral.

“Ouvi uma fala que ele (presidente) vai tentar igualar todo mundo. Quem, como eu, achava que ia ter uma aposentadoria mais cedo vai ter que esperar. Eu me sinto lesionado, mas não acho que essa diferença de tempo seja tão difícil. Se formos pensar como indivíduo, é ruim. Devemos pensar no resgate para o país. Os brasileiros passaram a ter uma vida mais longa também, temos mais saúde. Se o Brasil tivesse sido mais sério nos últimos 20 anos, isso não seria necessário agora.”

O argumento da equipe econômica do Governo de equilibrar os cofres públicos não convence André Vieira. O autônomo acredita que alterar o benefício dos idoso não vai resolver o problema financeiro do país.

“Quem sobrecarrega o orçamento do Brasil são os políticos com os salários estratosféricos não os idosos que recebe somente um salário mínimo. Sou contra essa reforma. Sem contar os inúmeros benefícios que eles (políticos) tem e que a maioria dos trabalhadores de 8 horas não tem.”

Mais notícias