Filho de garota desaparecida completa 2 anos e família não tem o que comemorar

Crianças estão crescendo sem saber o que realmente houve com a mãe

Há mais de seis meses sem contato com a mãe, nesta segunda-feira (24), o filho mais novo de Regiane Alves Alcunha completa 2 anos. A jovem desapareceu no dia 13 de dezembro do ano passado, após sair de casa para fazer uma rescisão de contrato trabalhista, em Campo Grande. Diferente dos pedidos tradicionais, a criança ainda espera ganhar de aniversário a volta da mãe para a casa.

A avó dos dois filhos de Regiane diz que a família não tem o que comemorar. Desde o sumiço, a rotina dos pequenos mudou e, todos os dias, a esperança é que a garota volte para o lar. Com o passar do tempo e a falta de informações concretas, Raquel Ferreira precisa “driblar” os netos, que perguntam cada vez mais pela mãe.

A mais velha, atualmente com 4 anos, é quem era mais apegada a Regiane. O desenvolvimento da criança, segundo a avó, retrocedeu nos últimos meses. “Ela voltou a fazer xixi na cama, acorda gritando a noite, quer mamadeira e chama muito pela mãe. Um dia eu falo que ela está trabalhando, no outro que ela foi ao médico, mas daqui a pouco não tenho mais desculpas para dar.”

A possibilidade da garota ter ido embora por conta própria está descartada pela sogra. Raquel conta que Regiane foi morar em sua casa quando tinha 15 anos. “Ela e meu filho começaram a namorar e decidiram viver juntos aqui. Logo ela engravidou, mas perdeu com 4 meses. Cerca de 2 meses depois engravidou novamente da (filha) mais velha.”

Ainda segundo a sogra, a jovem ama muito os filhos e, antes de desaparecer, estava planejando o aniversário da primogênita em uma chácara. A data, marcada em março deste ano, não foi comemorada, já que não tinha a presença da mãe.

Realidade que se repetiu nesta segunda-feira com o caçula. As forças da família estão concentradas em buscar respostas para a ausência de Regiane. Os pequenos não têm mais datas para comemorar e a expectativa da volta é o que ainda move Raquel.

“Metade do meu coração não existe, ela era meu braço direito. Estou praticamente vegetando porque durmo pensando nela, se está bem, se alimentando, passando frio. A mãe dela morreu quando ela tinha 8 anos e o pai quando ela estava grávida. Agora olho meus netos e fico imaginando se também vão crescer sem a figura materna.”

A dor é refletida na voz da avó, que abre os olhos diariamente para viver em prol das crianças. Há seis meses, todas as noites, ela fica na sala com as crianças esperando Regiane voltar. “Vamos dormir só na madrugada. Quando eles tiverem entendimento vou dizer que alguém roubou a mãe deles.”

A família também clama por mais agilidade da polícia. “Última informação que tivemos é que o celular dela registrou que ela esteve no Terminal Bandeirantes. Cade as imagens das câmeras da região? Estamos desesperados e queremos uma solução para o caso.”

A reportagem do Jornal Midiamax tentou novas informações sobre o desaparecimento, mas não obteve resposta.

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