Dona Terezinha venceu a depressão e se tornou um dos rostos da força feminina

Artesã vende os produtos para se sentir viva

Não é à toa que dona Terezinha Souza Bertolini foi uma das artesãs escolhidas para expor seus trabalhos na 5ª edição da Flib (Feira Literária de Bonito), que tem como tema a força da mulher na literatura brasileira.

Bonitense de coração, ela venceu o período recluso de 6 anos da depressão, voltou a bordar e surgiu como símbolo de superação na cidade. Em um dos stands montados na estrutura da Flib, na Praça da Liberdade, a artesã de 70 anos mostra com orgulho os colares, bordados e crochês que confecciona como forma de se sentir viva.

A paranaense e o ex-marido escolheram Bonito, há 37 anos, para aninhar os 3 filhos. Com o companheiro trabalhando nas curvas da estrada, dona Terezinha aprendeu as virtudes da “mulher das antigas” e começou a bordar. Alguns anos mais tarde, acabou ficando viúva quando o ex-marido morreu de câncer na coluna. Em 2011 foi acometida por uma depressão que lhe roubou as memórias recentes.

A artesão conta que passou cerca de 6 anos como “uma estátua”. Foi um período morto em sua vida, onde ela garante não se lembrar do que viveu. Um dia, como em um milagre, acordou com vontade de retomar os antigos afazeres. “Consegui reaprender a fazer aquilo que me dava prazer.”

Ter a oportunidade de vender os produtos na maior feira literária do Estado é mais um motivo de vitória. Quietinha, ela acalenta com um sorriso tímido quem passa pelo local. Ainda de acordo com a idosa, é impossível se manter com a venda dos artesanatos, mas a chance de mostrar suas peças para os visitantes também é uma forma de se sentir parte da sociedade.

“Hoje, é tudo industrial. O trabalho manual tem pouca produção e o que tem as pessoas não costumam valorizar. Ser expositora na Flib é gratificante, uma paixão.”

Flib

A história de dona Terezinha é uma peça do quebra-cabeça que compõe a temática da Flib 2019, iniciada na última quarta-feira (3). A edição deste ano contempla a literatura feita por mulheres, dando voz e verbo a uma produção intensa e, ainda, pouco conhecida.l