Casais provam que amor pode nascer em lugares inusitados

Na academia ou no videogame, apaixonados provam que sentimento não tem data marcada

Chegou o dia mais romântico do ano e, junto com ele, uma chuva de justificativas nas redes sociais. Há quem diga que está solteiro porque ainda “não achou quem valha a pena” e também aqueles que afirmam não terem tempo para encontrar o grande amor. Mas e quando seu futuro namorado (a) está mais próximo do que você imagina? Quando o cupido está rondando, não tem como escapar. Seja fazendo atividades diárias como pegar ônibus e ir na academia, como nos momentos de lazer durante os famosos jogos online. Neste Dia dos Namorados (12), o Jornal Midiamax buscou casais que encontraram um grande amor de uma forma inusitada e provam, todos os dias, que o sentimento pode nascer em todos os lugares.

Há cerca de 5 anos, Dion Leno tem uma rotina regrada. Adepto à vida saudável, trabalha durante o dia e vai para o treino no período da noite. A alimentação balanceada também impede que o jovem, de 29 anos, frequente baladas e tome bebidas alcóolicas. Em novembro do ano passado, Dion estava indo malhar na academia nova quando foi abordado pela recepcionista do local perguntando se ele tinha namorada. Juliana contou que havia uma mulher com um perfil parecido com o dele, que frequentava a academia há cerca de 10 meses e que achava que eles “dariam um belo casal”. A princípio, o aluno não acreditou muito, já que ele era reservado e não costumava puxar assunto com os outros alunos.

“A personal trainer da minha atual namorada tinha me visto e comentou que eu seria um bom partido para ela. Ela respondeu que achava que eu tinha namorada, então a Yasmin (personal) disse que a Juliana podia descobrir isso.”

A troca de olhares entre os dois durante os treinos começou a virar rotina até Dion perder a timidez e pedir o telefone da paquera. Neste meio tempo, a recepcionista ganhou um bombom de maracujá e entregou para a pretendente como se fosse um presente de Dion.

 

” A Juliana e a Yasmin tramaram tudo para unir a gente. Falaram dela para mim e de mim para ela, mas nenhum dos dois sabia. Ela nunca imaginou encontrar alguém e nem eu. Malhamos de fone e não damos atenção a ninguém durante o treino, isso foi o que chamou mais a atenção dela. Eu chegava uniformizado, fazia a troca de roupa na academia e nunca conversava com ninguém.”

Depois de alguns dias de conversa no celular, Dion chamou a amada para caminhar no Parque das Nações Indígenas e tomar um açaí. O convite foi o primeiro passo para a história de amor do casal. “Foi a primeira mulher que pedi em namoro”, conta.

O pedido oficial veio durante a virada de ano, como um brinde ao amor. Cada um passou as festividades com suas respectivas famílias e, quando deu meia-noite, a empresária foi surpreendida com a tão esperada frase: “Quer namorar comigo?”. O relacionamento de Dion Leno e a amada é baseado em noites românticas vendo filme e comendo pipoca, treinos na mesma academia, cumplicidade e trocas de juras de amor durante as tardes. Os dois também abrem mão dos barzinhos para curtirem a sós um bom restaurante ou só ficarem agarradinhos no sofá de casa.

“Acho que tudo começou quando ganhei um bombom achando que era dele. Foi lindo e diferente. Agradeci e disse que amava maracujá e ele concordou. Só fiquei sabendo que tudo era uma armação para nos juntar algum tempo depois. Ainda bem que deu certo”, brinca a empresária.

Jogos modernos

Diferente do “casal fitness”, Jean Vinicius prefere gastar o tempo livre jogando “The Last of Us” no videogame e foi em uma disputa online, no início de 2018, que o jovem percebeu que havia uma garota na competição. Os dois jogaram juntos praticamente o dia todo, mas Jean explica que não pediu o telefone de Vanessa por ter muito assédio nas jogadoras. O costume de jogar e tocar violão simultaneamente chamou a atenção da garota, que acabou adicionando o parceiro nas redes do videogame. A princípio, as conversas eram limitadas às estratégias da competição e a tecnologia não permitia fotos nos perfis.

A troca de mensagens se intensificaram e os dois ficaram amigos “as cegas”. Sem ver o rosto um do outro, Jean e Vanessa trocaram WhatsApp e, depois de meses, já estavam confidenciando segredos sobre a vida pessoal, trabalho e  família. A relação tinha tudo para ser apenas uma amizade virtual. Como a garota mora em São Paulo e nunca tinha ido para o Mato Grosso do Sul, o jeito foi esperar para fazer o pedido pessoalmente. Em 20 de março deste ano, Jean já estava apaixonado e decidiu que queria oficializar o relacionamento.

“A gente trocava chocolates, cartas, livros e jogos antes de deu pedi ela em namoro. Nesse meio tempo me formei em psicologia, ela fez parte de momentos importantes na minha vida. Consegui um emprego para ter dinheiro e ir juntando para conhecer ela. Parei de gastar para ver ela em Campos do Jordão.”

 

Foram meses de planejamento e uma força-tarefa que envolveu toda a família. A irmã de Jean emprestou milhas para que ele e a mãe pudessem pegar o avião e conhecerem a futura namorada do psicólogo. “O objetivo era unir todo mundo para planejar um futuro. O primeiro encontro foi surreal, a gente se abraçou e se beijou muito. Ela foi de carro com o pai me buscar e apresentamos nossas famílias.”

O namoro à distância não é um empecilho para o casal. Os dois garantem o amor vence barreiras e o futuro só depende da força do sentimento. Após a viagem, Jean voltou para Dourados e agora busca um emprego em sua área de formação. Vanessa pretende cursar a faculdade perto do namorado e não descarta a possibilidade de uma mudança de Estado.

“Nossa história mostra que existe o lado bom. Por mais que existam pessoas que cometam coisas impróprias dentro de jogos, isso significa que o videogame não influencia para o lado negativo. O problema está nas pessoas e não em um jogo, filme ou série.”