As lendas do Urutau, o pássaro amaldiçoado conhecido como “ave-fantasma”

O canto do Urutau retrata parte da história misteriosa que permeia as lendas no MS e no Brasil

Um canto nas noites escuras nas fazendas do Pantanal chama a atenção de quem ouve pela veemência da lamentação. O urutau, ou “mãe-da-lua”, é um pássaro que carrega muita superstição. Algumas pessoas, por desconhecimento acabam por rejeitá-lo com medo de mau agouro ou má sorte. Infelizmente, por esse motivo, muitas solicitam o seu recolhimento pela Polícia Ambiental que acaba depositando-as em centros de triagem. Mas as lendas vão muito além da mera sorte.

A índia presa

Conta uma famosa lenda boliviana, que na densa mata habitava a bela filha do cacique de certa tribo, enamorada por um jovem guerreiro da mesma tribo, a quem amava profundamente. Amava e era amada. Ao saber do romance, o pai da menina, enfurecido pelo ciúmes, usou suas artes mágicas e tomou a decisão de acabar com o namoro da maneira mais trágica: matar o pretendente.

Ao sentir o desaparecimento de seu amado, a jovem índia entrou na selva para procurá-lo. Enorme foi sua surpresa ao perceber o terrível fato. Em estado de choque, voltou para casa e ameaçou contar tudo à comunidade. O velho pai, furioso, a transformou em uma ave noturna para que ninguém soubesse do acontecido. Porém, a voz da menina passou à ave. Por isso, durante as noites, ela sempre chora a morte de seu amado com um canto triste e melancólico.

Bebê abandonado

No Peru, mais especificamente na amazônia peruana, o Nyctibius griseus é uma ave arraigada na mitologia dos povos indígenas , onde é conhecido como “Ayaymama”, pois seu canto também lembra uma criança exclamando “ai, ai, mama!”. A lenda peruana conta que um bebê foi abandonado por sua mãe na floresta para evitar que morresse por uma peste que já havia dizimado todo o povo. Ele então se transformou em uma ave, que todas as noites lamenta por sua mãe.

O filho arrependido

No Mato Grosso do Sul, mais precisamente na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, a lenta da maldição do Urutau é diferente. Segundo essa lenda o Urutau era um jovem charmoso, e muito galanteador, que sempre fazia sucesso nos bailes da região. Nesse período rural da história fronteiriça, poucas casas existiam na cidade, a maior parte da população vivia no campo onde os grandes eventos aconteciam nas fazendas e estâncias da região e precisavam de convites formais.

Urutau sempre era convidado para eventos, por ser um bom dançarino, culto e por entreter os convidados, além de fazer um grande sucesso entre as mulheres da região. O jovem era filho único, órfão de pai e responsável por cuidar da fazenda e da sua mãe, já de idade e adoentada.

Com o passar dos anos, o jovem ficou noivo e se casou, levando sua esposa para morar em seu rancho juntamente com sua mãe. Certa vez fora convidado para um grande casamento aconteceria de uma família rica da região, todos os vizinhos estancieiros foram convidados, mas o jovem não poderia ir, pois sua mãe estava muito doente e necessitava de cuidados médicos, que teriam de ser buscados na cidade.

O jovem deixou sua esposa cuidando de sua mãe e foi em busca de ajuda médica. Se vestiu à caráter e seguiu seu caminho, que passava justamente pelo grande baile a grande festa. Não resistindo, o jovem desceu de seu cavalo e adentrou pelo salão do baile e se pôs a dançar e festar por uma noite e um dia.

Nesse tempo o jovem esquecera-se da viagem, e durante o festejo, segundo conta à lenda, o jovem foi surpreendido pela chegada de sua esposa, que com olhar triste e decepcionada lhe avisou que ele não precisava mais se preocupar em levar socorro médico para sua mãe.

Espantado ele perguntou: “Por que?” e a noiva respondeu que a manhã já havia falecido pela manhã. O jovem, desnorteado correu para o campo e adentrou a floresta em desespero, nunca mais sendo encontrado. Reza a lenda que os espíritos da floresta o castigaram transformando em uma ave de olhos amarelos chorosa, que só é permitida sair pela noite se lamentando para lua sua única companheira na solidão.

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