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Jovem carioca comemora diploma: “É preto, favelado e professor”

Com parte da família morta pelo tráfico, jovem comemorou o feito com desabafo

Hebert Vinicius Miranda, de 25 anos, nasceu na comunidade Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma das comunidades mais violentas dos anos 90, viu uma das maiores chacinas da história do Estado acontecer com 21 mortos.

O jovem perdeu o pai, o irmão e o tio para a violência do tráfico. Mas diferente dos familiares, seu destino foi outro. Se tornou atleta, estudou e, no último dia 10, conquistou seu diploma universitário, comemorado nas redes sociais em um post que chegou a ter 10 mil retweets e 50 mil curtidas.

“Filho, sobrinho e irmão de 3 traficantes mortos. Algumas poucas pessoas desejaram que eu tivesse o mesmo fim, porém, a história foi diferente. Vou exibir isso aqui em todo lugar mesmo, porque eu lutei pra conquistar. É preto, favelado e professor! Tô formado. #Edfisica”, escreveu Hebert na publicação. 

Em entrevista ao G1 do Rio, Hebert diz não ter tido muito contato com o pai, falecido enquanto ainda era pequeno. Recorda-se mais do irmão mias novo, Giovane: um menino tranquilo e estudioso, até que entrou para o tráfico e morreu, aos 15 anos, quando Vinicius tinha 18.

“É aquilo, onde a gente mora, onde a gente vive, o tempo todo você convive com influências boas e ruins, e se você tiver uma cabeça fraca em algum momento, você desvia do caminho. Foi o que aconteceu com ele”, ressaltou.

Família como base

Rebatendo o senso comum sobre a vida na periferia, diz que não foi criado por marginais e que a mãe e a madrinha sempre foram um exemplo de conduta.

“Fui criado por pessoas que me passavam bons exemplos e diziam que a melhor forma de melhorar a vida eram os estudos. Eu tive uma boa base, educação. Só não tive dinheiro. Eu sei que para fazer tudo que quero, eu preciso estudar”.

Foco

O esporte também foi fundamental. Competidor de atletismo desde criança, chegou a treinar no Vasco e sonhava em ir para os Jogos Olímpicos.

“Eu tinha um sonho de todo atleta, que é chegar a uma Olimpíada. Quando, em 2016, tudo começou a desandar, em investimento e desempenho, eu abandonei o esporte só para estudar.”

Apesar do fim do sonho, como atleta conseguiu bolsa na Universidade Salgado de Oliveira, em Niterói, onde acaba de se formar em Educação Física.

Ativismo

Além disso, Hebert Vinicius escreve e preenche a saudade que o esporte deixou com poesia debatendo temas, como racismo e homofobia.

“Ser negro, LGBT, morar na favela, são questões que dificultam um pouco a convivência, mas a gente aprende a lidar. Morar na favela não é fácil, mas crescer sendo pobre, negro, tem tanta dificuldade que quando vem mais uma você só pode enfrentar. Qualquer uma, seja sexual, seja racial, tem dia que abate, entristece, mas tem que levantar a cabeça e seguir”, completou.

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