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Cantor sertanejo grava música para mãe surda com tradução em LIBRAS

Flavio Otoni quis homenagear a mãe em seu primeiro DVD

Uma história de mãe e filhos que é exemplo de amor incondicional e exemplo de quebra de barreiras. Flávio Otoni é cantor sertanejo daqui de Campo Grande e alcançou o cenário nacional depois de compartilhar o palco com grandes figuras da música sertaneja como Milionário e José Rico, Jads e Jadson e Michel Teló. Na última terça-feira, foi ao Encontro com Fátima Bernardes para contar o porquê de traduzir o seu primeiro DVD para LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais).

O som do amor

Leila Otoni, deficiente auditiva, sentia as músicas do filho através dos sentidos, da vibração, da dança e das imagens coloridas no fundo do palco. A mãe aprendeu LIBRAS recentemente. Até então, a comunicação entre os dois era básica: por gestos e leitura labial. Flavio diz que a mãe, mesmo não o ouvindo, sempre o incentivou a seguir seu sonho.

Dona Leila sempre incentivou o filho a seguir seu sonho mesmo não podendo ouvi-lo cantar. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Fico lembrando das vezes que ela vai ao show, olhando pra mim toda sorridente, cheia de orgulho, e eu pensando por que ela não pode ouvir a minha voz, entender bem a letra, a melodia.”, diz o cantor.

Ele começou a cantar aos 13 anos em festas da escola e entre os intervalos das aulas, com apoio da mãe. Cursou Administração e chegou a trabalhar na área de marketing de um empresa de software, enquanto cantava nos fins de semana.

Em sua primeira apresentação na festa do peão de Barretos, dividiu palco com Milionário e José Rico. Depois, gravou o Clipe “Te adoro Flor” com a dupla Jads e Jadson e teve a presença do Michel Teló em um dos seus shows onde interpretaram juntos a música “Levemente alterado”.

Gratidão

Após 15 anos do início da sua carreira, Flavio vendeu sua casa aqui na Capital para investir na gravação de seu primeiro DVD, em Goiânia-GO. Uma de suas missões era tornar o trabalho mais acessível para que a mãe pudesse entendê-lo, como formar de agradecer seu apoio incondicional.

“Tenho certeza que existe um propósito para essa contradição. Sempre quis ser um cantor, minha mãe nunca pode ouvir meus sons, não ouviu meu primeiro choro nem a minha primeira nota no violão, mas a ela dedico todo o meu amor, toda a minha gratidão.”, completou.

Para isso, contou com a ajuda da irmã, Cibele Otoni, que tinha acabado de terminar o curso básico de Libras, para traduzir e interpretar a letra da música para a LIBRAS. Os irmãos surpreenderam a mãe com a gravação depois que ela chegou do trabalho com o clipe da música “Assunto Preferido”. No fim do vídeo, Dona Leila agradece a homenagem dos filhos.

Durante o Encontro, o cantor trouxe à tona a discussão sobre a necessidade de intérpretes para melhorar a acessibilidade para as pessoas deficientes auditivas em shows, teatros e interpretações, já que esses tipos de apresentações dependem muito do recurso sonoro.

O comediante e ator Leandro Hassum comentou sobre a história da família e sobre a inclusão. “Sempre acredito que os pequenos gestos e que às vezes a gente faz de tão forma simples e tão por amor se espalham assim de forma brilhante, que vai atingir tanta gente”, ressaltou emocionado.

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