Asfalto lançado há três anos teve ordem de serviço e foguetório, mas ficou no papel

Agora só com nova licitação que o Poder Público Municipal procrastina a questão resolve

Em janeiro de 2012, dentro da casa da ex-presidente do bairro Nashiville, 30 moradores comemoravam a chegada do asfalto com as presenças ilustres do então prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), do senador (PT) e do deputado estadual Cabo Almi (PT). O foguetório foi bancado pela própria comunidade, e quem não estava na reunião ouviu os fogos, como por exemplo, o senhor Antônio Francisco Rios, cuteleiro que reside na Rua João Trivelatto há 12 anos. Ele promete uma faca especial com a gravação de agradecimento a Gilmar Olarte, se ele cumprir a promessa de outras administrações. 

“Eu me lembro desse dia, naquele ano que teve também eleição, e eles passaram com a patrola no mês de maio, mas não fizeram o asfalto. Existe o esgoto, existia a placa, que agora fica na minha casa, mas até agora nada da obra. Houve essa promessa do Nelsinho mas é difícil o governo atender aqui pois contam alguns boatos que desde o André há preconceito com o Nashiville, em virtude da inadimplência do IPTU ser grande aqui”, relata Antônio, conhecido com Toninho, de 62 anos, que tem várias profissões, entre elas a de cuteleiro, com a produção de facas artesanais.

Toninho também é vendedor de pedras preciosas, e assim como o ‘Comendador José Alfredo’, também já foi garimpeiro, mas hoje prefere trabalhar mais focado na área comercial. Para ele, as facas que produz também podem ser consideradas joias, devido o trabalho de acabamento. Ele, assim como outros moradores da mesma rua, se diz esquecidos pelo Poder Público e caso haja o milagre de o asfalto sair finalmente ele até se prontifica a presentear o prefeito com uma de suas melhores facas. Cada uma custa R$ 100,00. 

“Moro nessa rua faz dez anos e sempre falaram do asfalto, que teria sido já até pago, de tempo em tempo o assunto volta. Em 2012 uma reunião com o prefeito garantiu que saía, mas depois não virou. A televisão já veio aqui depois de uma enchente, filmou o matagal e ficou tudo na mesma. O asfalto ajudaria muito, mas nem espero mais”, lamenta a funcionária de Serviços Gerais que reside no bairro, Michele Coelho Ramires. 

Baixo Astral

O mesmo desânimo é compartilhado com um dos autores de emenda parlamentar para a obra que não saiu do papel, o agora deputado estadual Cabo Almi. Ele era vereador quando o projeto ganhou a ordem de serviço bancada por uma contrapartida do município e outra emenda parlamentar do senador , no valor de R$ 3 milhões. 

A empreiteira que venceu a licitação para a obra foi a Gerpav, empresa que era chefiada pelo falecido senhor Gerardo Cafure, que trabalhou anteriormente na Proteco, de João Amorim. Após o seu adoecimento por câncer o projeto de asfalto no bairro Nashiville também combaliu e morreu. Agora só uma nova licitação pode reanimar a pavimentação no local onde moram cerca de 3.500 pessoas. 

“É um assunto que me entristece, já fiquei com a canela fina de tanto ir na Caixa Econômica. Passou do Nelsinho para o Bernal, e depois para o Olarte. O Semy me garantiu nesse ano que abriria outra licitação, que é a saída para a obra acontecer, já que o responsável pela empresa vencedora da primeira licitação morreu. Desde 2008 ouço essa cobrança, fiz a emenda, o Delcídio fez mas esse asfalto não resolve de jeito nenhum, algo que nunca vi”, explica o deputado estadual que terá uma reunião com o prefeito Gilmar Olarte sobre a demanda até o final do mês de janeiro.

Conspirando pela mesma solução, Adma Cândida Silva Santos, tenta no seu primeiro mandato como presidente do bairro organizar a documentação da entidade . A rua onde mora há 18 anos, na Hipólito Cassiano Gavilan, é uma das que ficar em pior estado nos dias de chuva. Consultada pelo Midiamax ela conta que a única asfaltada do Nashiville é a Isabelino Hipólito Novaes, no extremo do bairro, já fronteira com o Colibri.

Adma venceu a eleição para presidente sem nenhuma concorrência, em virtude segundo ela da descrença das pessoas do local com a Política. Pelo que ela confirma lembrar foram ao todo três anúncios do Poder Público Municipal, com presença de autoridades de que o asfalto sairia. Ela alega que também já ouviu a versão de que o asfalto já teria sido pago e não entregue e tentará se reunir como prefeito neste ano. 

“O Nelsinho nos disse que poderia cair um avião se o asfalto não fosse pavimentado aqui no Nashiville e como agora a gente pode confiar na palavra de um homem? Teve até fogos em uma reunião há três anos com a presença do ex-prefeito, de senador e de deputado, o povo aqui do bairro comemorou o fim da espera. São 900 famílias que até hoje aguardam uma resposta da Prefeitura que politicamente mesmo com as novas administrações não veio”, diz a presidente do bairro. 

A reportagem tentou falar com o ex-prefeito da Capital, Nelson Trad Filho, mas não conseguiu esclarecimentos sobre a obra de asfalto no bairro que conforme os moradores teria sido anunciada durante a sua gestão.

Asfalto lançado há três anos teve ordem de serviço e foguetório, mas ficou no papel
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