Em jogo de polêmicas com VAR, Cruzeiro empata com Flu e mantém drama contra queda

Em um jogo marcado por duas decisões polêmicas tomadas após o juiz recorrer ao VAR, uma anulando uma expulsão e outra um gol da equipe da casa, o Cruzeiro empatou por 0 a 0 com o Fluminense, na noite desta quarta-feira, no Mineirão, e ampliou o seu drama na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

O resultado deixou a equipe estacionada na 18ª posição, com 21 pontos, agora quatro atrás do CSA, que em outro duelo da noite superou o Internacional por 1 a 0, em Maceió, e foi aos 25 na 16ª colocação. O Ceará, batido pelo Grêmio em Caxias do Sul, é o 17º, com 23. Já o Fluminense passou a somar 26 pontos e figura em 15º lugar.

Depois de duas vitórias como substituto do demitido Oswaldo de Oliveira, Marcão desta vez não pôde contar com o zagueiro Digão, por motivo contratual por ser emprestado pelo Cruzeiro, e também não teve o lateral-esquerdo Caio Henrique e o volante Allan, convocados para a seleção brasileira sub-23. Assim, o treinador trouxe Frazan na zaga, Orinho na ala e Yuri Lima no meio-campo como novidades na escalação tricolor.

E com duas novas peças no setor defensivo, o Flu sofreu com as investidas ofensivas iniciais do Cruzeiro e por muito pouco não tomou um gol aos 8 minutos do primeiro tempo. Após um erro na saída de bola, Sassá acionou Fred e o atacante serviu para Jadson finalizar. Gilberto salvou o gol em cima da linha e, na sobra, Sassá, na pequena área em ótima condição para marcar, conseguiu chutar a bola para fora.

O Cruzeiro tinha muito mais volume de jogo e voltaria a assustar a defesa do Flu em finalização de David que obrigou Muriel e praticar boa defesa, aos 17 minutos. Acuado e sem inspiração, o time carioca só foi conseguir chegar pela primeira vez com perigo ao gol adversário aos 21, em cabeçada de João Pedro após escanteio batido da direita por Nenê.

Aos poucos, a equipe tricolor começou a se soltar um pouco mais e voltaria a aparecer no ataque em novo lance de bola parada, com Nenê cobrando falta rasteira, mas em que a bola passou longe do gol de Fábio, que pouco precisou trabalhar no primeiro tempo

O jogo era truncado e com as equipes sem inspiração na armação de jogadas. E pouco depois de Ganso discutir com defensores cruzeirenses após uma disputa, Yuri Lima foi expulso ao deixar o pé no peito de Jadson, em um “coice” no adversário nos acréscimos do primeiro tempo. Porém, depois de muita reclamações dos jogadores do Flu, o árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima revisou o lance no VAR (arbitragem de vídeo) e anulou o cartão vermelho, o substituindo por um amarelo.

No intervalo, em entrevista no gramado ao SporTV, Yuri assumiu que errou pela sua atitude e praticamente confessou a agressão, mas disse que o juiz acertou em trocar a cor do seu cartão. “Eu nunca fui de fazer este tipo de jogada. Pedi desculpas pelo lance e a justiça foi feita”, disse o jogador. Jadson, por sua vez, protestou contra a decisão. “São dias de VAR. O VAR está mais atrapalhando do que ajudando”, reclamou.

O clima voltou a esquentar na sequência, com Fred se desentendendo com Ganso e recebendo um cartão amarelo após dar um empurrão no peito do meio-campista. Em meio ao clima tenso, sobrou até para André Carvalho, preparador de goleiros do Fluminense, expulso da partida por reclamação.

Com o Cruzeiro na luta para sair da zona de rebaixamento, Abel Braga promoveu a entrada de Marquinhos Gabriel no lugar de David na volta para o segundo tempo. Mas foi por meio de um chute de Edilson de fora da área, que explodiu no travessão de Muriel, que o time da casa quase abriu o placar aos 2 minutos desta etapa final. E o mesmo lateral levou perigo em cobrança de falta rasteira de longe, em seguida, aos 4.

O Cruzeiro balançaria as redes pouco depois, aos 6 minutos, com Fred completando de cabeça um cruzamento preciso de Egídio vindo da esquerda. Entretanto, o gol foi anulado após o VAR entrar em ação mais uma vez. Na origem do lance que resultou na roubada de bola que sobrou para Egídio, Robinho acertou o rosto de Gilberto com a sola da chuteira, em um novo “coice” parecido com o dado por Yuri Lima em Jadson.

E seguindo o mesmo critério disciplinar que adotou na jogada ocorrida no final do primeiro tempo, o árbitro deu cartão amarelo a Robinho, pois também não considerou o lance uma falta passível de expulsão, e invalidou o gol de Fred.

A decisão do juiz impactou emocionalmente a equipe cruzeirense, que passou a sofrer mais para articular jogadas ofensivas. O Fluminense, muito recuado, se limitava a se defender. E Marcão deixou a sua equipe com uma postura ainda mais defensiva com a entrada do volante Dodi no lugar do meia Daniel.

Para dar novo gás ao ataque, Abel sacou Sassá e colocou Vinícius Popó. E o Cruzeiro seguiu pressionando o Flu, mas falhava no último passe no ataque. Então o treinador cruzeirense resolveu apostar sua última ficha ao tirar o pendurado Robinho para a entrada de Maurício. No Flu, Marcão respondeu com Igor Julião no lugar de Orinho e no fim sacou o cansado Ganso para colocar Ewandro.

Sem conseguir penetrar na defesa cruzeirense, o Flu só tirou o “sono” de Fábio em finalizações de fora da área. Do outro lado, o pouco inspirado Cruzeiro buscava o gol na base do abafa, mas fez pouco para merecer a vitória e o jogo terminou mesmo em 0 a 0.

Na próxima rodada do Brasileirão, o Fluminense receberá o Bahia no sábado, às 19 horas, no Maracanã, enquanto o Cruzeiro terá pela frente a Chapecoense no domingo, também às 19h, na Arena Condá, em Chapecó.

 

FICHA TÉCNICA

 

CRUZEIRO 0 X 0 FLUMINENSE

 

CRUZEIRO – Fábio; Edilson, Dedé, Fabrício Bruno e Egídio; Henrique, Jadson, Robinho (Maurício) e David (Marquinhos Gabriel); Sassá (Vinicius Popó) e Fred. Técnico: Abel Braga.

 

FLUMINENSE – Muriel; Gilberto, Nino, Frazan e Orinho (Igor Julião); Yuri Lima, Daniel (Dodi) e Paulo Henrique Ganso (Ewandro); Nenê, Yony González e João Pedro. Técnico: Marcão.

 

ÁRBITRO – Jean Pierre Gonçalves Lima (RS).

 

CARTÕES AMARELOS – Fred, Robinho, Egídio e Edilson (Cruzeiro); Yuri Lima e Paulo Henrique Ganso (Fluminense).

 

PÚBLICO E RENDA – Não disponíveis.

 

LOCAL – Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG).

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