Missão Pai (II): medo, ansiedade, expectativa, amor e euforia…um bebê vai nascer

A saga do nascimento de uma vida 

Para quem não leu a primeira parte do meu relato (confira aqui), eu terminei dizendo que era uma sexta-feira de 2016, por volta das 14hs, estávamos almoçando em casa, minha esposa e eu, ela prestes a entrar na 40ª semana (ah, grávidos aprendem a contar o tempo por semanas), ela me olhou e a tão temida e esperada expressão surgiu: “Senti. Acho que é contração”.

Meu coração parou. O tempo parou. O mundo parou. A vida parou. Os olhos pararam! A Manu queria sair! Mas, para nosso desespero ainda tínhamos quase 40 horas pela frente…foram os piores minutos e mais torturantes minutos da nossa vida. Porquê não poderia ser simples? Deu a hora! Pronto, vem filha! Mas, o caminho é árduo e o desafio que empodera a mulher de forma magnífica nem de longe é fácil.

A segunda contração demorou uns 40 minutos, e como nós aproveitamos os meses de gestação para estudar o assunto e nos prepararmos para um parto humanizado, sabíamos que a jornada ainda poderia ser longa. Minha esposa decidiu sair sozinha para um passeio com as amigas, horas mais tarde eu fui encontrá-la no estacionamento de um supermercado, já espiritualmente pronto para ir para a Maternidade. Mas, as contrações ainda estavam muitos espaçadas e num estágio inicial da dor.

A força de uma mulher guerreira começava a se desnudar diante de mim. Nem o matrimônio pode me apresentar a gana e garra que ela possuía em seu interior. Eu e TODOS os homens que conheço não suportariam um parto, não apenas pela dor, mas por todo um arcabouço psicológico, físico e espiritual envolvido em um processo mágico, divino e amedrontador que é a chegada de um vida ao mundo.

Pois bem, saindo do supermercado voltamos para casa, ainda precisávamos atender um compromisso na igreja (com todas as malas possíveis dentro do carro há dias), não foi possível ficar até o fim, porque por volta das 22hs as contrações ritmaram e dor aumentou. Partiu maternidade…ligamos para ‘doula’, que nos ajudou muito em todo o processo, e para nossa médica, um anjo que conduziu com doçura e maestria o momento mais importante da minha vida.

O objetivo não é denegrir ninguém (por isso oculto nomes), mas a plantonista do Hospital foi tão ríspida e não-amorosa com minha esposa que as contrações, ritmadas e doloridas, cessaram. Voltamos para casa de madrugada. A doula dormiu no sofá e médica quis nos ver sábado pela manhã.

Bem cedinho (ainda com as malas no carro e a expectativa tocando o céu) voltamos ao Hospital. “Pode caminhar bastante”, disse nossa ‘anja’. “Vai demorar”. Eu precisava trabalhar e deixei minha esposa sozinha (com a doula e minha sogra) até o fim da tarde daquele sábado. Nos encontramos no mesmo consultório ainda com o sol raiando tímido: a dilatação começou! Era sábado a tarde.

Bem, essa segunda parte está prestes a terminar, mas antes preciso deixar um registro: nos tornamos defensores ferrenhos do parto humanizado! Do hospital voltamos para casa, e olhando os apps que registram contrações de segundo em segundo. (Vem logo minha filha, o pai já está explodindo).

No fim do dia as contrações retomaram o ritmo, mas a intensidade da dor ainda era suportável e foi piorando com o passar das horas. Às 21hs eu ouvi a senha: “Não estou aguentando mais!”. Liga para doula, liga para o fotografo, liga para médica, manda mensagem no grupo da família: Estamos indo para a maternidade, Vai Nascer.

Por volta das 23 horas, ou seja, cerca de 30 horas depois da primeira contração, demos entrada no Hospital. Mas, como nem tudo são flores…a jornada final ainda nos reservava surpresas e horas de espera…(continua)

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