Entre idas e vindas, Campo Grande deixa um pouco de si na vida de quem por aqui passa

Família, amigos e parque são motivos de saudade

Capital Morena completa 118 anos (Foto - Cleber Gellio/Midiamax)Campo Grande, capital sul-mato-grossense que completa exatos 118 anos é conhecida por exibir um lindo pôr do sol e manter estilo pacato, característico de cidades interioranas de Mato Grosso do Sul. A natureza que se faz presente na zona urbana também encanta e  surpreende. Cheia de particularidades a cidade acolhe e se despede de pessoas que chegam e deixam o município todos os dias. 

“Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais. Tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar. Tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar”, esse trecho da música Encontros e Despedidas dos compositores Milton Nascimento e Fernando Brant – que ficou conhecida na voz da cantora Maria Rita – retrata momentos de chegadas e partidas, não diferentes dos vividos pelos que vêm ou deixam Campo Grande. 

Nas bagagens dos que  chegam e dos que partem, cada um traz e leva consigo histórias diferentes, mas que na maioria das vezes estão relacionadas à família, amigos, amor e carreira.

Lindo pôr do sol característico da capital sul-mato-grossense (Foto - Cleber Gellio/Midiamax)

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Diretor de artes Jhully Espíndola, de 24 anos, nasceu e cresceu em Campo Grande, mas aos 22 anos, ele optou por deixar a cidade para buscar novas oportunidades profissionais em São Paulo. 

Muito diferente de Campo Grande, São Paulo é conhecida como a cidade que nunca dorme. O estilo de vida em nada se parece com o de quem mora na capital morena. Para o jovem campo-grandense o primeiro desafio foi se adaptar à constante correria.Jhully com amigos em cachoeira considerado um dos refúgios da Capital (Foto - Reprodução/Facebook)

“Em Campo Grande temos o tereré, o jeito simples de ver as coisas. Aqui é tudo mais rápido, as pessoas têm o costume de querer tudo para ontem”, relata. 

Apesar da correria que é viver em São Paulo, o diretor de artes ainda tem ambições na cidade metropolitana e não quer voltar para a calmaria da capital sul-mato-grossense antes de conquistar seus objetivos. “Voltaria a morar em Campo Grande quando não precisar de salário para sobreviver”, frisa.

Diferente de Jhully que trocou a calmaria da cidade pelo ritmo acelerado de São Paulo, a jornalista, Renata Portela, de 26 anos, que veio para Campo Grande em 2009 para fazer faculdade, decidiu deixar a Capital Morena para mora em um lugar ainda mais calmo.

Em 2017, a jornalista fez as malas e seguiu para Iguatemi – a 446 quilômetros de Campo Grande -. Os motivos? Acompanhar o noivo que em um concurso na cidade e mudar o rumo profissional. 

Renata e o noivo no Parque das Nações Indígenas (Foto - Reprodução/Facebook)

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Renata abandonou o jornalismo para realizar o sonho de ter o próprio negócio e no interior montou um Pet Shop. Apesar de ter conquistado mudanças positivas. Renata não nega a saudade da Capital. “Sinto muitas saudades dos amigos que fiz em Campo Grande e dos meus dois pontos de sossego, Praça do Papa e Parque das Nações Indígenas”, observa.

Rose e o marido na Inglaterra (Foto - Reprodução/Facebook)

Depois que o marido decidiu respirar ares europeus foi a vez de Rose Maire Alle Machado, de 54 anos, fazer as malas, dela e dos filhos. Há 14 anos ela e a família foram para Portugal, mas não ficaram muito tempo por lá, até decidirem seguir para Inglaterra.

A qualidade de vida, segundo Rose, é incomparável, no entanto, ela admite que o sentimento de saudade é insuperável. 

“Aqui é melhor em tudo, saúde, educação e principalmente segurança, mas sinto saudade da família e de amigos”, desabafa.

Nas histórias de idas e vindas, há aqueles que pelo mesmo motivo que chegaram, tiveram de partir. Ana Carla Ornelas, de 38 anos, é administradora em uma empresa de seguros. 

No fim de 2014 ela foi transferida para Campo Grande. Mãe de dois filhos, uma adolescente e um menino – atualmente com 19 e 4 anos – ela trouxe a família para a Cidade Verde, como é conhecida Cuiabá, para a Capital Morena. 

A adaptação foi rápida, mas em pouco mais de dois anos, foi novamente transferida e teve de deixar Campo Grande, no entanto, confessa que se pudesse escolher, voltaria para Campo Grande. 

Ana Carla e os filhos, Isadora e Renato, em um shopping da Capital (Foto - Reprodução/Facebook)

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“Fazem cinco meses que saí daí porque fui novamente transferida. Sinto saudades dos amigos que eu fiz em tão pouco tempo e voltaria a morar aí porque foi uma época muito boa para mim com crescimento pessoal e profissional. Conheci muita gente que eu amo e é uma cidade muito boa em estrutura”, declara.

Com chegadas e partidas, atualmente Campo Grande abriga cerca de 1 milhão de habitantes e seja pelas pessoas, pelos lugares, ou pela natureza e  beleza dos parques, a Capital Morena sempre deixa um pouquinho de si naqueles que precisam se despedir. 

Capivara dorme com tranquilidade em parque da cidade Morena (Foto - Cleber Gellio/Midiamax)

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