Com coronavírus e menos casais, lojistas esperam queda de 43% nas vendas no Dia dos Namorados

Retração é relativa à data em 2019; expectativa é de que comércio movimente R$ 100 milhões

Pesquisa de intenção de consumo para o , comemorado em 13 de junho no Brasil, aponta um cenário pouco animador para os comerciantes: a estimativa é de que sejam movimentados R$ 100,61 milhões na economia de Mato Grosso do Sul, sendo R$ 72,62 milhões com presentes e R$ 27,99 milhões com comemorações. Apesar das cifras serem milionárias, representam uma queda de 43% na comparação com 2019.

O IPF (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS, a Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul) e o Sebrae-MS (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado) sondaram a clientela a fim de identificar as intenções para a data. O que encontraram para justificar a queda na movimentação vai muito além da crise econômica decorrente do novo (Covid-19). O aumento no número de solteiros e a indecisão sobre o que presentear atingiram os números.

Conforme a economista Daniela Dias, do IPF, 34% dos entrevistados disseram estar solteiros, ou 12 pontos percentuais acima do apontado no ano passado. E, dentre aqueles que namoram, 62% querem comemorar a data, mas apenas 20% pretende ter algum gasto. Os entrevistados com mais de 50 anos são maioria entre aqueles que vão presentear.

A pesquisa também orienta os comerciantes que desejem aproveitar os potenciais clientes a se prepararem para as exigências: para 20%, o atendimento é considerado muito importante, e um mesmo percentual avaliou desta forma as medidas sanitárias. E 15% priorizarão o comércio à distância e entrega do produto.

Oportunidades

Um dado interessante é que 70% dos compradores pretende fazer a compra de uma loja física e o entregar pessoalmente, ante 25% que vão optar pela compra pela internet, 4% que farão o presente e 1% vão adquirir um presente/voucher. A entrega pessoal corresponde a 95% das intenções, e apenas 5% mandarão o entregar.

“Chamou a atenção daqueles que compram pela internet: são 25% e no ano passado eram 14%”, disse Daniela. “E, no histórico de pesquisas realizadas, nunca houve preferência tão grande para o atendimento, que deve ser um diferencial neste momento para 49% das pessoas”, prosseguiu ela. Em cidades como Três Lagoas e Coxim, essa preferência supera os 60%. Ela ainda destacou o peso das medidas sanitárias para os compradores.

Roupas (20%), flores e cestas de café da manhã ou de chocolates (15%) e perfumes e cosméticos (15%) lideram a preferência.

Dicas

Vanessa Schimidt, analista do Sebrae-MS, salientou que a alimentação e a venda de presentes são as duas atividades principais a serem contempladas. “Quando se fala em alimentação, é importante que o comerciante da gastronomia, dos restaurantes, esteja atento a como garantir que, mesmo que um cliente não vá ao estabelecimento, pois percebemos que muitos comemoram em casa, que consiga personalizar a entrega: que seja uma embalagem especial, algo que marque a data e surpreenda o cliente e, com isso, tenha a representatividade da data”, explicou.

Ela ainda ressaltou que há maioria entre os entrevistados para realizar compras em lojas físicas, “mas talvez vão preferir a entrega. Então, é importante que a loja garanta medidas de segurança para o consumidor, surpreenda com uma embalagem diferenciada, personalize o presente e ofereça entrega grátis e rápida, além de facilidades de pagamento para garantir neste momento aumentar o capital de giro”. Outra sugestão é a adoção de canais digitais para conversar com os compradores, permitindo desde o prévio atendimento para retirada ou mesmo para evitar aglomerações.

“Há um conjunto de fatores que refletem na movimentação financeira da data, mas o recado importante ao empresário é que ele precisa estar atento às necessidades dos consumidores para que ofereçam serviços complementares. Pois mesmo se considerando que a maioria pretende entregar o presente pessoalmente, vale destacar que as recomendações ainda são de isolamento social”, alerta o presidente do IPF-MS, Edison Araújo.

A pesquisa ouviu 1.688 pessoas entre os dias 4 e 18 de maio em Bonito, Campo Grande, Corumbá, Ladário, Coxim, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas.

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