Antigo sonho de emprego, descaso de chineses com MS desanima moradores em Maracaju

BBCA Brazil recebeu incentivos fiscais e área de 100 hectares para instalar complexo, mas projeto está parado

Nas ruas de Maracaju – a 160 km de Campo Grande – muito se fala sobre o destino do ambicioso projeto do complexo industrial da BBCA Brazil. O grupo chinês prometeu investir R$ 2 bilhões e gerar centenas de empregos, mas sete anos depois o que fez foi construir 30 casas para trabalhadores, dois armazéns e uma linha de transmissão na área de 100 hectares adquirida por R$ 3 milhões pela prefeitura daquele município. Além disso, a empresa tem acordo com o governo do Estado para receber incentivos fiscais.

Com tudo parado, a alternativa para gerar renda foi arrendar a estrutura para a Cooperativa LAR, que precisava de silos para armazenar da colheita acima da expectativa que os produtores tiveram em MS.

A situação gerou ainda mais desconfiança na população, que sonhava com geração de empregos e aquecimento na economia do município. “Eles alugaram para a cooperativa estocar milho lá. Estão falando que a LAR vai comprar. Se isso acontecer vai ser bom. É melhor ter aqui uma empresa que a gente conhece. A LAR é grande, vai ser bom”, disse um morador que trabalha em uma usina de processamento de cana-de-açúcar.

Um grupo de moradores também comentou sobre essa hipótese. “Eu acho que a LAR vai comprar. Fiquei sabendo até que os trabalhadores que vieram da para trabalhar na BBCA já foram embora”, disse um deles.

BBCA
Área da BBCA tem apenas dois armazéns, casa para trabalhadores e linha de transmissão. (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Sem informações

A falta de transparência nas ações que envolvem o grupo chinês também é motivo de preocupação entre a população. “Informação sobre essa indústria ainda é pouca aqui na cidade. O pessoal está sem saber o que está acontecendo”, disse Edson Fontes, dono de uma oficina.

Outros preferem nem opinar. “Não me envolvo com esses assuntos. Esses dias teve uma polêmica no Facebook, de que foi arrendado para a LAR, eu só fico futricando os comentários, mas não estou sabendo de nada.”, disse uma moradora que preferiu não revelar a identidade, alegando ser uma questão muito polêmica. Ela completou dizendo que “já vão tarde” ao ser questionada sobre o abandono do grupo.

A reportagem tenta desde quinta-feira contato com a BBCA Brazil, porém o número do escritório de Campo Grande, informado na página oficial da empresa não existe e o de Itajaí (SC) ninguém atende. Em um celular, conseguimos falar com uma atendente, que prometeu dar retorno, mas até a publicação deste material não nos respondeu mais.

A Cooperativa LAR também foi procurada para comentar o assunto, mas não emitiram posicionamento até o momento.

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