Logística dos grãos do MT afetou arrecadação de concessionária da BR-163 em MS

CCR MSVia revela déficit de R$ 1,7 bilhão e prevê novos impactos com mudanças de rotas, como a implantação do corredor bioceânico

A recente mudança da logística de transporte dos grãos no Mato Grosso é apresentado como um dos fatores que fizeram com que a CCR MSVia, concessionária responsável pela rodovia BR-163, tivesse queda de arrecadação e chegasse a R$ 1,7 bilhão de déficit, conforme apresentado pela empresa na Assembleia Legislativa.

Os dados foram expostos em audiência pública nesta semana. “A partir do momento que assumimos [BR-163 em MS], sem que existisse indicação dessa mudança, a logística mudou integralmente”, explica o diretor de Relações Institucionais, Claudeir Alves.

“A BR-163 era praticamente a única forma de escoar a produção do Mato Grosso para os portos que ficam no sul do país”, diz Alves, apontando que a mudança foi significativa e tende a evoluir com a consolidação de outras mudanças de logística.

De acordo com o diretor da CCR, Mato Grosso complementou a estrutura hidroviária e a produção de um dos principais polos de grão do país, a região de Lucas do Rio Verde, passou a ser exportada pelos portos do Amazonas, Pará e Maranhão.

Além disso, a Rumo assumiu a concessão ferroviária que pertencia à ALL e fez vários investimentos, levando os trilhos até Rondonópolis (MT), onde também foi criado um terminal rodoferroviário para escoar a produção até os portos do sul.

“Vou dizer o que significa esse terminal. Mato Grosso do Sul produziu no ano passado 20 milhões toneladas de grãos. Esse terminal embarcou para Santos justamente 20 milhões de toneladas de grãos. O grosso dessa produção descia pela BR-163. Não desce e não vai descer mais”, frisa Claudeir Alves, que completou na sequência.

“É bom para o Brasil, mas é ruim para a CCR, por que a partir daí o impacto em nossa receita é muito grande”. Apesar disso, ele admite que para quem produz commodities realizar transportes longos como anteriormente, percorrendo até 3 mil km por via rodoviária, inviabiliza a competitividade do produto no mercado.

Rota Bioceânica pode causar novo impacto.

Claudeir ainda prevê que novas mudanças de logística, com implementação de ferrovias e até hidrovias, devem mudar o fluxo de transporte da produção e causar mais prejuízos à concessionária. Uma delas é a implantação da Rota Bioceânica.

“No Mato Grosso do Sul o Governo está fazendo um esforço enorme para viabilizar a operação do porto de Porto Murtinho, que sozinho tem capacidade de exportar toda a produção do Estado. Existe empenho em consolidar a Rota Bioceânica”, revela.

Apesar das questão causar impactos na BR-163 e soluções precisam ser buscadas, Claudeir aponta que o uso da BR-163 não vai acabar e que a rodovia vai continuar sendo a principal do Estado. “Mas será em um novo modelo em que não vai depender de carga de longa distancia em cima de pneu para sobreviver”, finaliza.

Logística dos grãos do MT afetou arrecadação de concessionária da BR-163 em MS
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