Juro curto tem viés de baixa e longo sobe com receio sobre atividade e política

O aumento do ruído político, em meio nesta quarta-feira, 15, aos protestos contra cortes orçamentários da área de educação em todo o País, e mais um indicador evidenciando a fraqueza da economia – o IBC-Br de março – conduziram o mercado de juros, que também, em menor grau, recebeu alguma influência do cenário externo. No geral, as taxas encerraram a sessão regular perto dos ajustes de terça, com um viés de queda na ponta curta e leve alta nos longos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 6,84%, de 6,851% na terça no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 7,992% para 8,00%. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 8,562% para 8,61%.

De um lado a sequência de dados fracos da indústria, comércio e serviços no primeiro trimestre, e nesta terça o IBC-Br, vai deixando claro que a retomada da economia estagnou no período e que o PIB entre janeiro e março deve ser mesmo negativo, o que ajudou a ancorar os DIs curtos. O IBC-Br caiu 0,68% no primeiro trimestre, na margem, e 0,28% em março ante fevereiro. O dado de fevereiro foi revisado em baixa, de -0,73% para -0,98%. Nesse contexto, as instituições financeiras continuaram reduzindo suas estimativas para o PIB e começam a surgir projeções já abaixo de 1% para 2019 – caso nesta quarta do BNP Paribas, que promoveu forte revisão na sua previsão de 2% para 0,8%, e passou a esperar corte da Selic, para 5,75%.

De outro lado, na política, o quadro é de ainda mais incertezas. “O mercado no Brasil hoje (quarta) está muito volátil pelo cenário político ruidoso, com as curvas longas mais sensíveis ao risco de não termos reforma da Previdência este ano”, disse o responsável pela área de produtos da Monte Bravo, Rodrigo Franchini.

As dificuldades que o governo tem enfrentado para aprovar no Congresso uma série de Medidas Provisórias (MP) que vencem no curto prazo já vinham sendo lidas como sinal negativo para o apoio à reformas e nesta quarta os protestos em prol das verbas para a Educação reforçaram as preocupações. “Não podemos subestimar o potencial dos protestos, dado o histórico de que corroem o capital político do governo. Da reforma da Previdência, em última instância, depende a governabilidade, porque sem a reforma o país entra em colapso fiscal”, disse o estrategista de Mercado da Harrison Investimentos, Renan Sujii.

O presidente Jair Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, afirmou que os estudantes que estão protestando são “massa de manobra” e “idiotas úteis”. “A maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada”, disse.

O exterior teve um peso menor nos juros, mas ajudou a reduzir a pressão de alta da ponta longa no fim da manhã, dada a reação positiva dos mercados internacionais à informação de que o governo americano, segundo fontes, adiou a decisão final sobre uma possível imposição de tarifas a automóveis e autopeças importados por seis meses.

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