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Greve dos caminhoneiros deve impactar economia e pode afetar PIB de MS

Setor industrial deve ser um dos mais atingidos pela greve

A greve dos caminhoneiros, que já dura oito dias e trouxe como principais reflexos o desabastecimento de combustíveis e a falta de gêneros alimentícios, especialmente, os hortifrútis e os laticínios, trará consequências mais graves para a economia de Mato Grosso do Sul. Segundo especialista ouvido pelo Jornal Midiamax, os efeitos na economia devem ser sentidos nas próximas semanas e meses.

Com a greve, os caminhões de matérias-primas e de combustíveis não chegaram às indústrias sul-mato-grossenses, paralisando a atividade industrial. A situação crítica para o setor industrial é confirmada pelo economista Renato Prado Siqueira. Ele explica que ainda não é possível fazer prognósticos, porém, a indústria deve ser um dos setores mais afetados pela paralisação do setor de transporte de carga.

“Além da questão do combustível e da distribuição de alimentos para população, o diesel e a gasolina são usados na indústria e isso vai ter impacto na produção. Impactando a produção, diminui as vendas, a distribuição dos produtos e, no sentido de que está tudo interligado, acaba tendo prejuízo para toda cadeia de produção e distribuição dos produtos”, alerta o economista.

Na semana passada, a greve dos caminhoneiros afetou o transporte de cargas vivas e de ração aos rebanhos e frigoríficos do Estado. Com isso, os animais de abate poderiam morrer e apresentarem problemas na engorda.

O especialista pontua que o setor de agropecuária também será atingido, com a possibilidade de problemas na vazão de grãos ao mercado externo e que a economia do Estado também pode sofrer até mesmo a redução no PIB (Produto Interno Bruto).

“A paralisação vai continuar tendo impacto na economia e pode inclusive afetar o crescimento no PIB do Estado e do Brasil, principalmente na indústria”, afirma Siqueira.

Os problemas no setor econômico só poderão ser confirmados nos próximos dias e meses. O acordo firmado entre os caminhoneiros e o governo Michel Temer implica em três MPs (Medidas Provisórias) editadas no domingo (27). Entre os pontos negociados, estão a redução do preço diesel em R$ 0,46 nas bombas pelo prazo de 60 dias e a isenção da cobrança de pedágio dos caminhões que trafegarem com eixo suspenso.

Com relação ao valor diesel, a reivindicação que fez a paralisação explodir nas rodovias brasileiras, o economista diz que pode não ser a solução definitiva. “[Pode ser] Temporária. Não vejo como uma solução definitiva para o problema. Alguém vai ter que pagar [a conta] e vai acabar ficando por conta da população. O Ministro da Fazenda deu uma entrevista falando sobre onerar a folha de pagamento dos empresários. De um jeito ou de outro alguém vai ter que pagar a conta. O movimento é interessante, mas, é focado em uma categoria específica”, conclui Siqueira.

(Matéria alterada às 13h14 para correção de informações).

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