Depois das farmácias e dos colchões, Campo Grande vive ‘boom’ de óticas

Na Capital, número de novas empresas do ramo aumentou 52% neste ano de 2020

Andar pelas ruas do e se deparar com uma, duas ou até três óticas na mesma quadra não tem sido novidade para os moradores, que viram de um ano para o outro, o número de estabelecimentos do varejo ótico dobrar. Em Campo Grande, em menos de um ano, foram mais 52% de novas óticas abrindo e em , o número subiu 54%

Conforme os dados da (Junta Comercial de ), em 2018, Campo Grande teve  abertura de 30 óticas. Em 2019 esse número caiu para 22 novos estabelecimentos, mas em 2020 o varejo ótico voltou a ter um crescimento de lojas abertas, saltando para 34 novas empresas. No geral, em 2018 MS contou com 46 estabelecimentos novos e no ano seguinte, 44. Porém, em 2020 o setor teve um crescimento exponencial, indo para 67 novas ótimas abertas no Estado.

Buscando procurar o melhor orçamento para os óculos da filha, Jucemara Braga de Souza, de 34 anos, se surpreendeu com a variedade de comércio do segmento pela cidade. Com a receita médica da filha em mãos, a gerente comercial foi em busca da melhor oferta. “Perto de casa tem uma ótica, mas é bem pequena e ficou bastante caro o óculos dela. Aí fui ao Centro com meu marido e foi muito fácil. Fizemos orçamentos em umas três lojas e compramos bem em conta”, disse à reportagem.

Na primeira loja, o orçamento havia ficado em R$ 450, na outra, R$ 429 e na que comprou, R$ 350. “Acho que se tivéssemos andado mais em outras óticas poderia ter saído até mais barato. Teve algumas que até ofereciam consulta mais a fabricação do óculos, mas como já tínhamos a receita, né, não precisou”, comentou Jucemara.

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Óculos no mesmo dia, óculos em até uma hora, óculos de sol de brinde: vale de tudo para atrair os clientes que precisam de um novo acessório. Mas até que ponto a quantidade de óticas é vantajoso para os consumidores?

Depois das farmácias e dos colchões, Campo Grande vive 'boom' de óticas
de óticas funciona um ao lado da outra na Afonso Pena | Foto: Leonardo de França, Midiamax

Para a oftalmologista Cristiane Bernardes, um dos pontos positivos é justamente a maior opção de fechar um negócio e comprar pagando o valor acessível. No entanto, a especialista orienta que é preciso atenção na hora de escolher em qual varejo for comprar.

“Pensando em opções para o consumidor, é bom. Mas acredito que a maioria dessas óticas não tenha equipe treinada para a orientação e confecção dos óculos. E pior ainda, as que possuem o profissional óptico acabam oferecendo a consulta e venda casada para o cliente”, pontuou a médica.

Ela orienta que, quando os moradores sentirem alguma dificuldade na visão é necessário procurar primeiramente um oftalmologista antes de ir diretamente comprar uns óculos.

“[Comprar óculos sem consulta médica] é um risco para a saúde ocular e vender [sem receita] é um exercício ilegal da medicina, ferindo também o código de defesa do consumidor”, afirmou Cristiane. A médica esclarece que assim como as farmácias devem dispor de um farmacêutico, o varejo ótico deve ter um profissional ótico.

Depois das farmácias e dos colchões, Campo Grande vive 'boom' de óticas
Foto: Leonardo de França, Midiamax

Vale lembrar que, o profissional óptico não é o mesmo que o oftalmologista. O oftalmologista é o médico especialista que conhece toda a estrutura ocular e é habilitado a diagnosticar e tratar doenças da visão, realizar cirurgias e identificar erros de refração. O óptico é quem interpreta a receita da refração óptica diagnosticada pelo oftalmologista.

A médica pontua relatos de óticas clandestinas que se quer têm a preocupação em seguir as normas determinadas. “Se todas elas cumprissem as normas da Vigilância Sanitária e fossem fiscalizadas, ficaria mais opções para os moradores. Mas eu acho que muitas acabam funcionando na clandestinidade. Abrem, ficam dois três meses abertas e fecham. As vezes óticas pequenas, que não tem fiscalizações e só são fiscalizadas quando existe denúncia”, comentou.

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