Taxa de entrega maior em aplicativo pode decretar morte de restaurantes em Campo Grande

Na Bom Pastor, restaurante 'segura' preço dos pratos para compensar alta na taxa de entrega

O aumento da taxa em aplicativos de entrega de alimentos pode afetar restaurantes em Campo Grande. O valor da taxa chegou até a dobrar em alguns casos e podem acabar reduzindo as vendas durante o período de pandemia de coronavírus. 

O aplicativo de entrega iFood reajustou os valores para entregas de até 1km, passou de R$ 3,99 para R$ 6,99; para até 2 km, subiu de R$ 3,99 para R$ 7,99; para raio acima de 7km, aumentou de R$ 11,99 para R$ 13,99. 

Taxa de entrega maior em aplicativo pode decretar morte de restaurantes em Campo Grande
Restaurante teme queda nas vendas, mas acredita que parte dos clientes vão continuar pedindo. (Foto: Ranziel de Oliveira)

Em um restaurante localizado na avenida Bom Pastor, o aumento da taxa de entrega do iFood pode afetar as vendas. A dona do estabelecimento, Renata Coelho, e 43 anos, não concorda com o aumento e explica que a taxa é exorbitante. Ela teve que a mudança possa afetar as vendas e por isso mantém o preço dos pratos. “Com a pandemia, eles deveriam diminuir e não aumentar”, diz. 

Renata citou um prato do restaurante para demonstrar como tudo funciona. Um prato de cupim soleado custa R$ 36,90 no local, mas no aplicativo ela vende por R$ 39,90. “O iFood cobra 27% do prato e para não sair perdendo, eu deveria cobrar R$ 46.86, mas é melhor pingar do que perder cliente. 

Uma alternativa para a alta da taxa da entrega é utilizar outro aplicativo. Renata explica que também utiliza o X Menu e com ele consegue dar 10% de desconto e ainda não cobra taxa. Ela não acredita que o serviço de entrega vá melhorar, mas torce para não perder vendas. “O iFood é conhecido, querendo ou não, tem gente que pede”, afirma.

Taxa de entrega maior em aplicativo pode decretar morte de restaurantes em Campo Grande
Moto entregador diz que valor da taxa é razoável. (Foto: Ranziel de Oliveira)

Um moto entregador conversou com a reportagem e não quis se identificar, mas acredita que não será prejudicado com o aumento da taxa de entrega. “Existem prós e contras, o iFood nem sempre cobra corrida do cliente, ele também dá cupons de desconto. Nós entregadores recebemos normalmente. Se a corrida custa R$ 10, recebemos R$ 8. É um valor razoável, mas depende da distância”. 

A consumidora Josi Andrade, de 34 anos, pediu o almoço desta quinta-feira (21) pelo aplicativo e diz que não percebeu o aumento. “Não reparei porque não peço muito, só uma vez por mês. Acho que é justo [aumentar], porque iFood tbm passou pela pandemia”.

Em nota ao site UOL, o iFood informou que destinou mais de R$ 14 milhões em medidas de proteção aos entregadores durante pandemia. A plataforma criou um fundo para ajudar entregadores com sintoma ou infectados pelo coronavírus.

Segundo nota de esclarecimento, a empresa destinará R$ 50 milhões de sua receita na forma de um fundo de assistência a restaurantes, valores que dependerão do valor de comissão que o restaurante paga atualmente ao iFood, e irá antecipar os recebimentos dos restaurantes, sem custo adicional.

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