Grupo de Trabalho irá acompanhar e investigar consumo de energia de famílias campo-grandenses

O objetivo é conscientizar consumidores e evitar que o transtorno se repita

Depois do aumento expressivo nos valores das contas de energia elétrica em Mato Grosso do Sul, um GT (Grupo de Trabalho) irá acompanhar, orientar e investigar o consumo na casa de famílias de Campo Grande. A proposta é de orientar os consumidores para que possam evitar todo o transtorno causado pelo aumento se repita no próximo verão.

A presidente do Concen (Conselho dos Consumidores de Energia da Área de Concessão da Energisa-MS), Rosimeire Cecília da Costa, explica que o grupo tem o objetivo de pensar estratégias para trabalhar com o consumidor. “Dizem que foi o pior momento de calor das últimas décadas, mas isso são fatores externos. O que podemos fazer para que não aconteça no ano que vem? Queremos ajudar os consumidores, orientar. No inverno por exemplo, ajudar a escolher o melhor chuveiro elétrico”, afirma. A presidente cita que o GT deve ser formado pelo Concen, Procon Municipal, UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e AEM (Agência Estadual de Metrologia).

Quando o assunto é o alto consumo de energia, uma das justificativas apontadas é o uso de eletrodomésticos ‘ultrapassados’. Entretanto, a presidente do conselho de consumidores afirma que o objetivo do GT não é orientar as famílias a comprarem novos equipamentos. “De forma nenhuma o conselho aconselha a comprar novas tecnologias e equipamentos. A questão é que, se precisar trocar, ele pode escolher o equipamento mais eficiente”, explica Rosimeire.

A presidente diz que o objetivo do GT é analisar casos de famílias campo-grandenses que tiveram o aumento súbito no valor da conta e fazer um diagnóstico, até para que sirva de referência para outras famílias.

Aumento na cobrança: o calor justifica?

A justificativa da Energisa para o aumento nas contas de energia elétrica é o forte calor e o consumo recorde. Alguns consumidores ficam intrigados sobre como a temperatura pode impactar tanto na conta, mesmo sem a compra de novos eletrodomésticos.

A presidente do Concen explica que o calor é, sim, um forte componente no aumento e que já viu casos similares nos quase 11 anos de trabalho no Procon. Segundo ela, há a troca dos equipamentos medidores por novos, com maior precisão. “Às vezes o consumidor tinha o equipamento mecânico e não tem tanta precisão quanto o digital. A empresa tem o direito de trocar por equipamentos mais novos e, como são mais precisos, vão mesurar efetivamente a demanda dos equipamentos instalados na casa”. A troca dos medidores foi apontada por consumidores que enfrentaram o aumento como uma possível razão. Para entender, uma alternativa é analisar o histórico de consumo.

Já o professor de engenharia elétrica da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Eduardo Contar, explica que a economia de energia é importante durante o verão. Para o professor, o consumidor deve considerar além do seu consumo próprio, mas levar em consideração os custos gerenciáveis, que são relacionados aos custos de operação e manutenção da rede.

“Desta forma, quando ocorre uma elevação do consumo, muitas vezes a concessionária deve realizar investimentos na melhoria do sistema e manutenções em geral, pois o sistema pode não estar projetado para operar com tal elevação e assim a tarifa pode ser repassada aos consumidores”, diz Contar.

O professor aponta que uma instalação elétrica antiga é um fator para o aumento na cobrança. “Muitas vezes o que ocorre é uma instalação antiga e mal dimensionada, o que gera muitas perdas de energia”, afirma.

Estas perdas são mais sentidas no verão, que sobem consideravelmente com a elevação da temperatura. “A questão dos equipamentos elétricos é similar, a utilização de equipamentos antigos e menos eficientes gera gastos diferentes no inverno e no verão”.

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