Cobranças abusivas e serviços ruins: o que leva as pessoas ao Procon?

Consumidores também relatam problemas com empresas e serviços

“Os humilhados serão exaltados”, é o mantra a ser mentalizado por quem entra no prédio localizado na Rua 13 de Junho, quase esquina com a Maracaju, em Campo Grande. No local, funciona o prédio da Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor, o Procon-MS, onde diariamente centenas de pessoas, munidas de paciência e resiliência, passam por atendimento em busca de ter os direitos de consumidor respeitados.

Cada pessoa que espera na fila de atendimento guarda uma história de desrespeito das relações de consumo em modalidades cada vez mais comuns. Como a do vigilante Adriano Ferreira Santos, que compareceu ao local nesta quinta-feira (15), para reclamar de uma cobrança indevida.

“Imagina só, você é assediado por uma vendedora para fazer um cartão de crédito de uma loja, nunca utiliza e quando vê tem uma cobrança de mais de R$ 200 de anuidade atrasada, de algo que nunca usei e nem vou usar”, conta o vigilante, que aproveitou a folga para pedir orientação. “Eu nem desbloqueei esse cartão e estou com dívida. Onde já se viu isso?”, acrescenta Adriano.

Procon-MS realizou mais de 37 mil atendimentos em 2017 (Fotos - Cleber Gellio/Midiamax)

A poucos metros, a professora Lucimara Falco está na segunda visita ao prédio. Há um mês, ela impetrou reclamação contra o serviço de água e esgoto na capital, que teria vindo com cobrança abusiva. “De repente a conta veio exorbitante. Fui na empresa, reclamei e disseram que teve vazamento. Mas, neste mês veio normal. Eu quero uma explicação, acho que a cobrança anterior foi abusiva e a empresa não sabe me explicar o que houve”, comenta a professora.

Na mesma sala, o autônomo Nilson Cesar de Sousa traz o carro-chefe de reclamações no órgão, que é telefonia celular. “Não paguei uma cobrança indevida esperando eles resolverem, mas não só suspenderam meu serviço como continuaram mandando a cobrança com o erro. Busquei negociar, mas quando fui reativar o serviço meu número não existia mais, tinha sido redistribuído para outra pessoa”, conta o autônomo. “São três meses tentando regularizar isso. Eu me sinto injustiçado”, aponta.

Para essas pessoas, o Procon-MS se torna uma espécie de bastião da Justiça, onde há a certeza de que ao menos receberão atenção especial por parte das empresas reclamadas. Mas, muita gente evita acionar o órgão porque há, de fato, um desgaste da locomoção, à espera e até a resolução do problema.

“Você não sabe o esforço que é eu ter que parar minhas coisas e passar uma manhã aqui para receber orientação. É a primeira vez que eu venho e o atendimento é bom, mas eu preferiria não precisar estar aqui”, aponta Valéria Benites, dona de casa, que compareceu ao órgão para reclamar de uma compra feita numa loja da Capital.

Pelo consumidor

O superintendente do Procon-MS, o advogado Marcelo Monteiro Salomão, destaca que há uma demanda reprimida no atendimento à população. “É difícil estipular um número porque às vezes as pessoas nem sabem que estão numa situação de consumo abusiva, então os números de atendimento podem sempre aumentar”, aponta. Segundo ele, somente em 2017, a propósito, o local atendeu mais de 37 mil pessoas insatisfeitas com serviços e relações de consumo.

O superintendente do Procon-MS, Marcelo Salomão (Fotos - Cleber Gellio/Midiamax)​Neste ano, a superintendência decidiu manter a programação especial do Dia do Consumidor, celebrado nesta quinta-feira (15), no prédio onde os atendimentos acontecem. “Precisamos divulgar o local e o custo é menor, também. Neste ano, estamos com uma semana inteira de conciliação de dívidas, o ‘Resolva Já’, na qual fechamos parcerias com a Energhisa, Águas Guariroba, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal”, explica Salomão.

Segundo o superintendente, a conciliação de dívidas é fundamental, porque é uma possibilidade do consumidor ter seu poder de compra restabelecido. “Uma das condições que acertamos para esta semana era que os descontos fossem maiores que os obtidos nas agências, por exemplo. Temos relatos impactantes, de pessoas que se emocionaram, porque vão conseguir quitar dívidas de R$ 5 mil com desconto de 90%, e que antes não conseguiam comprar um sapato parcelado”, explica.

O auxiliar de produção Joel Avelar foi um dos que conseguiu fechar negócio. “Era uma dívida de cartão de crédito com o Banco do Brasil, que consegui fazer a negociação e parcelar. Eu acho que o desconto poderia ter sido maior, mas o meu problema está resolvido”, aponta.

653 atendimentos ocorreram somente até ontem. Conciliação segue até esta sexta (Fotos - Cleber Gellio/Midiamax)

Somente até quarta-feira (14), segundo o Procon, 653 atendimentos de conciliação foram realizados. Deste total, a Energisa conseguiu sucesso em 80% dos pedidos de negociação; Banco do Brasil, 71%, Caixa Econômica Federal, 50%; e Águas Guariroba negociou 100% das demandas que deram entrada. O mutirão segue até esta sexta (16), com distribuição de senhas das 8h às 16h. O Procon-MS fica na Rua 13 de Junho 930. Os atendimento ordinários são até às 19h.

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