Ex-delegado que teria sido perseguido por “chefe”, condenado pela Justiça, vai exigir indenização do Estado

O ex-delegado Oduvaldo Pompeu de Oliveira, o Telê ao tomar conhecimento que o ex-diretor-adjunto da Polícia Civil, Silvio Iran da Costa Mello tinha sido condenado pela Justiça por improbidade administrativa afirmou que vai entrar com uma ação na Justiça com pedido de indenização. Conforme o processo que tramitou na segunda vara cível de Dourados, o ex-diretor Silvio Iran foi condenado por “emitir ordem para impedimento de lavratura de um auto de prisão em flagrante contra o vereador Jeovani Vieira dos Santos de Jatei”. O ex-diretor além de perder os direitos políticos por três anos terá que pagar uma multa no valor de cem salários que pode ultrapassar a R$ 1,5 milhão.


O fato aconteceu em 20 de julho de 2004 quando o delegado Telê prendeu em flagrante o vereador que estava com um celular tomado em assalto uma semana antes. Telê foi obrigado por Silvio Iran a se deslocar até Campo Grande onde foi repreendido e ameaçado de transferência conforme consta no processo.


Oduvaldo Pompeu que atualmente está com 63 anos de idade conta que acabou se aposentando em dezembro de 2006. A intenção de Telê é continuar atuando como delegado, mas afirma sofreu muito por causa da perseguição.


O delegado aposentado disse que por causa dos dissabores ocasionados pelo fato acabou sofrendo um enfarto sendo submetido a uma cirurgia para a colocação de três pontes de safena e três mamárias. “Depois veio a morte de meu irmão e de minha mãe”, disse o delegado ao explicar que se ainda estivesse trabalhando o impacto psicológico teria sido menor.


“Eu não tinha interesse em me aposentar. Fui obrigado a fazer isso pelas circunstâncias”, disse Tele que atualmente pode ser vistos todos os dias fazendo caminhadas e pedalando uma velha bicicleta pelas ruas do centro de Dourados.


Tele lamenta o fato de ter sido punido pelo seu superior no pleno exercício de suas funções e fazendo as coisas da forma certa. Oduvaldo lembra que Silvio Iran ficou vários anos afastado da Polícia Civil pela prática de irregularidades no exercício da função pública. Depois de alguns anos Iran retornou a Polícia acabou fazendo a perseguição que resultou na condenação.


Na sentença o juiz José Carlos de Paula Coelho e Souza disse que “deve ser enaltecida a conduta corajosa do delegado Pompeu ao não ceder a ordem manifestamente ilegal recebida de seu superior hierárquico e ao denunciá-lo por este tipo de conduta mesmo cônscio dos ricos que poderá vir a sofrer daquele”.

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