Cotidiano

Sisu: Com início do período de inscrição, entenda como funcionam as notas de corte

Candidatos terão três dias para escolher vaga para disputar com os concorrentes

Fábio Oruê Publicado em 06/04/2021, às 18h05

Candidatos podem mudar a escolha do curso quantas vezes quiserem
Candidatos podem mudar a escolha do curso quantas vezes quiserem - Foto: Arquivo/ Jornal Midiamax

Com as notas do Enem 2020 em mãos, os estudantes puderam fazer as inscrições no Sisu (Sistema de Seleção Unificado) nesta terça-feira (6). Os candidatos têm três dias para se inscreverem e podem modificar suas duas opções quantas vezes quiserem, já que o sistema só irá considerar a última opção preenchida. 

Nesse período para tentar uma vaga, a atenção dos estudantes se voltam para as notas de corte e muitas dúvidas acabam surgindo. A nota de corte é uma referência para auxiliar o candidato no monitoramento de sua inscrição. Todo dia elas mudam, de acordo com a nota dos demais concorrentes que já se inscreveram até aquele momento.

Ela é calculada a partir do número de vagas ofertadas do curso. Ou seja, se o estudante quer um curso que esteja oferecendo 10 vagas, a nota de corte será sempre a nota do décimo classificado.

Primeira e segunda opção

Desde o ano passado, durante as inscrições, o sistema do Sisu mudou a regra e começou a considerar as notas dos alunos nas duas opções. Assim, pessoas com notas altas estavam sendo aprovadas nas duas escolhas e as notas de corte acabaram subindo, o que deve ser repetir nesta edição.

Segundo o professor de matemática Frederico Torres, fundador do Mente Matemática, explicou em entrevista ao Portal Guia do Estudante que esse sistema acaba resultando em uma 'classificação fantasma', já que no fim do processo o estudante classificado nas duas opções é considerado, automaticamente, só na primeira posição.

Ele exemplificou com a experiência de um aluno na edição 2020. O estudante estava na posição 41° em uma determinada universidade, quando o Sisu passou a considerar a classificação nas duas opções, ele caiu para a 81°. Quando saiu o resultado da chamada regular, em que os alunos foram classificados na primeira posição, ele subiu para a posição 43°. Felizmente, o candidato decidiu manter sua opção no último dia – mesmo com a dúvida.

Com esse método o aluno não consegue saber quantos dos estudantes que estão na frente dele podem, potencialmente, sumir ou não quando sair a chamada regular.

O professor explica que só é possível ter uma noção se tem chance de conseguir a vaga, apesar dessa classificação fantasma, se o aluno souber a última prévia no ano passado, e analisar a queda da nota de corte que ocorreu no último dia no curso e instituição escolhida. “E só tem acesso a essa prévia quem estava acompanhando o ano passado e registrou os números, por isso é difícil os alunos fazerem essa análise”, disse. 

TRI e nota de corte

Torres opinou que, analisando numericamente, as quedas e aumentos na nota de corte dependem muito mais de fatores como a TRI (Teoria de Resposta ao Item) do que propriamente da abstenção, que foram altas nesta edição. Se uma prova tiver uma abstenção muito grande, mas o grau de dificuldade da avaliação for elevado e alguns alunos estarem muito bem preparados para realizá-la, as notas serão altas.

A TRI adotada pelo Enem é conhecida como método “anti-chute”. Ela leva em consideração o grau de dificuldade das questões em vez da quantidade de acertos do candidato. Pode acontecer, por exemplo, de duas pessoas com o mesmo número itens corretos tirarem notas diferentes. Se aluno acertou as mais difíceis e errou as fáceis, a nota será menor.

Jornal Midiamax