Cotidiano

Restrições contra covid foram adiadas para aliviar perdas nos estoques de restaurantes, diz Abrasel

O decreto estadual com restrições para o comércio aos fins de semana e toque de recolher às 20h foi publicado nesta semana e o setor de bares e restaurantes já prevê impactos negativos em Mato Grosso do Sul. Inicialmente, o decreto já deveria vigorar desde quinta-feira (11), mas o documento foi alterado e passa a […]

Mylena Rocha Publicado em 13/03/2021, às 09h04 - Atualizado em 14/03/2021, às 10h13

(Foto Ilustrativa: Pixabay)
(Foto Ilustrativa: Pixabay) - (Foto Ilustrativa: Pixabay)

O decreto estadual com restrições para o comércio aos fins de semana e toque de recolher às 20h foi publicado nesta semana e o setor de bares e restaurantes já prevê impactos negativos em Mato Grosso do Sul. Inicialmente, o decreto já deveria vigorar desde quinta-feira (11), mas o documento foi alterado e passa a valer a partir deste domingo (14). Os comerciantes acabaram ‘ganhando’ três dias de trabalho, o que pode amenizar as perdas de estoque em MS. 

Presidente regional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Juliano Wertheimer explica que o decreto teve duas evoluções: mudança na data e a permissão para funcionar aos domingos. Ele afirma que as duas concessões foram feitas após negociação da Abrasel com o Governo do Estado, o que pode aliviar as perdas no setor. 

Wertheimer frisa que os três dias de trabalho antes do início do decreto irão ajudar para que os bares e restaurantes não percam tanto estoque. Restaurantes de sushi, por exemplo, têm estoque de peixe fresco que não podem ser congelados, por isso, um decreto imediato poderia causar um grande prejuízo. 

“Ajuda um pouco, ou melhor, atrapalha menos. Não estão ajudando em nada, mas atrapalhando menos com esses três dias de trabalho. O que nós sempre pedimos foi o diálogo e antecedência, um decreto de um dia para o outro é muito prejudicial”, comenta.

O presidente da entidade diz que a restrição para funcionamento aos domingos, com atendimento somente até as 16 horas, pode cortar 40% do faturamento de restaurantes familiares e churrascarias, que têm o domingo como principal dia de trabalho. “Nos próximos dois domingos da vigência do decreto, pelo menos terão o almoço, vão poder trabalhar”, diz.

Juliano Wertheimer ressalta que os mais prejudicados são os estabelecimentos que atendem à noite, como os bares. Para quem costumava abrir às 19 horas, não vai compensar o atendimento, já que o toque de recolher começa às 20 horas. 

“É pesado para o empresário e é aterrorizante para os funcionários, que não sabem se o contrato será renovado ou não. Os patrões estão sem caixa e o medo da demissão se instala no coração dos funcionários”.

Para que a situação da pandemia melhore logo em Mato Grosso do Sul, o presidente da entidade diz que a população pode ajudar. “Se a população respeitar e participar deste momento difícil ao evitar festas clandestinas, aglomerações domésticas ou ir em grupos no supermercado, vai ajudar”.

Decreto estadual

Diante do avanço do coronavírus nas últimas semanas e da taxa de ocupação de leitos que chega a 100% em regiões do Estado, o Governo de Mato Grosso do Sul publicou decreto com novas medidas restritivas. O documento determina que o toque de recolher fica mais rígido e começa a partir das 20 horas em MS. Aos fins de semana, serviços não-essenciais, como o comércio e shoppings, só podem funcionar até as 16 horas. Todas medidas começam a valer no domingo (14).

O decreto já havia ‘vazado’ nas redes sociais, mas o Governo do Estado não liberou o documento logo pela manhã, como costuma acontecer. Sob forte pressão de empresários donos de bares, restaurantes e líderes religiosos, o Governo do Estado ‘aliviou’ alguns pontos do decreto. Por exemplo, no documento inicial, os estabelecimentos não-essenciais deveriam ficar fechados aos domingos. Agora, os locais podem funcionar até as 16 horas, assim como aos sábados. Outra mudança é que as igrejas foram inclusas como atividade essencial no decreto.

Jornal Midiamax