Plano de Vacinação contra a Covid-19 em MS também vai monitorar efeitos adversos de imunizantes

Hospital Regional de MS já possui unidade especializada em reações a imunobiológicos, como vacinas, da rede pública

O agora iminente início da vacinação da população brasileira contra o novo coronavírus (Covid-19), resultante da aprovação neste domingo (17) dos pedidos emergenciais para uso da Oxford/AstraZeneca e à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), também levou autoridades de Saúde a se prepararem para eventuais efeitos adversos dos imunizantes.

Em Mato Grosso do Sul, foi elaborado um Protocolo de Vigilância Epidemiológica e Sanitária de Eventos Adversos Pós-, em acordo com o Ministério da Saúde e a Anvisa. A medida é resultado do desenvolvimento “de forma acelerada e com novas tecnologias de produção” das vacinas, que indica a possibilidade de ocorrer um “aumento considerável no número de notificações de eventos adversos”. Ele integra o plano estadual de vacinação, que será apresentado oficialmente amanhã (18).

Como “evento adverso”, são considerados possíveis efeitos colaterais –até aqui relatados como de ocorrência rara nos grupos de testes das vacinas. Ainda assim, conforme o plano estadual, isso torna necessário uma vigilância epidemiológica e sanitária maior, sobretudo quanto ao “manejo, identificação, notificação e investigação” desses efeitos.

Pelo sistema, a notificação e investigação devem ser realizados no sistema e-SUS Notifica, única via de entrada de dados no país. O formulário está em fase final de desenvolvimento.

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) criará um Comitê Estadual para avaliação dos eventos adversos, a fim de aplicar o protocolo específico em tais situações, de forma a agilizar a resposta rápida e imediata às reações. Além disso, relatou já ter implantado o Crie (Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais), que funciona no Hospital Regional Rosa Pedrossian e já atende portadores de quadros clínicos especiais –como contraindicações ao uso de imunobiológicos da rede pública, pessoas imunocompetentes e imunodeprimidas, ou que tenham outras condições de risco e grupos especiais.

“Os imunobiológicos ofertados pelo Crie são termoestáveis e acondicionados em refrigeradores adequados, com temperaturas termoestáveis de 2 ºC A 8 ºC”, destaca o plano, ao frisar, ainda, que “as vacinas são desenvolvidas com exigência muito alta de segurança, no entanto, nenhuma delas está totalmente isenta de provocar eventos adversos”.

Nestes casos, cobra-se notificação imediata para investigação e esclarecimento, “para que não coloque em risco não apenas a segurança geral da população, mas todo o programa de imunizações”. O plano ainda salientas que “em geral, as vacinas estão entre os medicamentos mais seguros para o uso humano, proporcionando amplos benefícios à saúde pública de um país. Entretanto, como qualquer outro medicamento, não são isentas de riscos”, o que faz vários países manterem a vigilância sobre os eventos adversos.

Esse ciclo de vigilância, no Brasil, será composto pela detecção do caso suspeito, notificação e registro em sistema, investigação e busca ativa de novos eventos, avaliação das informações, classificação de causalidade e retroalimentação de informações em situação oportuna. O sistema ainda prevê mecanismos para o monitoramento pós-distribuição e pós-uso da vacina pelos serviços de Saúde e informação de queixas técnicas e eventos adversos à Anvisa.

Autorização para uso emergencial inclui divulgação de informações

Pelo plano de vacinação, as fabricantes das vacinas Oxford/AstraZeneca e , e as que futuramente obtiveram autorização de uso emergencial das medicações, devem garantir que os profissionais sejam informados do status da imunização, benefícios e riscos (significativos, conhecidos e potenciais) do seu uso e até que ponto são desconhecidos.

Ao mesmo tempo, profissionais de Saúde que tiverem conhecimento de suspeita de evento adverso, incluindo os na imunização (como na cadeia de frio, preparação de dose e na administração) devem alertar as autoridades de Saúde.

A investigação epidemiológica não descarta observações, entrevistas, revisões de registro, prontuários, inspeção, visitas domiciliares e até necropsias para determinar as causas dos eventos adversos.

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