Cotidiano

O que dá para uma família comer em um mês com auxílio de R$ 375 em Campo Grande?

A equipe econômica do Governo Federal ainda estuda o retorno do Auxílio Emergencial, mas com um valor abaixo do pago em 2020. Os valores cogitados são de R$ 375,00 para mães chefes de família e R$ 150 para pessoas que moram sozinhas. Utilizando esses dois valores como base, a reportagem foi até os mercados para […]

Gabriel Neves Publicado em 11/03/2021, às 15h00 - Atualizado em 12/03/2021, às 10h56

Listas que incluem carnes e verduras utilizam todo o valor do novo auxílio. (Foto: Marcos Hermínio/Midiamax)
Listas que incluem carnes e verduras utilizam todo o valor do novo auxílio. (Foto: Marcos Hermínio/Midiamax) - Listas que incluem carnes e verduras utilizam todo o valor do novo auxílio. (Foto: Marcos Hermínio/Midiamax)

A equipe econômica do Governo Federal ainda estuda o retorno do Auxílio Emergencial, mas com um valor abaixo do pago em 2020. Os valores cogitados são de R$ 375,00 para mães chefes de família e R$ 150 para pessoas que moram sozinhas.

Utilizando esses dois valores como base, a reportagem foi até os mercados para simular uma compra e quais produtos as pessoas que dependem desse benefício poderão adquirir para se alimentar ao longo do mês.

Com o valor de R$ 150,00, destinado para pessoas que moram sozinhas, é possível, hoje, comprar apenas uma cesta básica pequena no Mercadão de Campo Grande, que custa cerca de R$ 129,00.

O que dá para uma família comer em um mês com auxílio de R$ 375 em Campo Grande?
Produtos colocados no ‘carrinho’ custam cerca de R$ R$ 306,00 em mercados menores e R$ 258,00 em atacados. (Foto: Marcos Ermínio/Midiamax)

Já as cestas médias e grandes, vendidas por R$ 259,90 e R$ 449,90 respectivamente, não podem ser adquiridas. Se utilizarmos o valor de R$ 375,00 como base, o beneficiado poderia adquirir uma cesta básica do tamanho médio.

A cesta média, em um box do Mercadão Municipal, é composta por:

  • três pacotes de arroz;
  • quatro garrafas de óleo;
  • seis quilos de açúcar;
  • um pacote de trigo;
  • dois pacotes de feijão;
  • um pacote de sal;
  • um pacote de café;
  • duas unidades de macarrão parafuso;
  • um pacote de papel higiênico;
  • um pacote de esponja de aço;
  • um pacote de extrato de tomate;
  • um kit limpeza.

Nesse caso, o beneficiado ficaria com R$ 115,1 para gastar com água, luz, cuidados médicos e outros no período de um mês. Pensando em uma compra mais farta, o Midiamax montou uma lista utilizando preços divulgados pelo Procon-MS (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor), no dia 25 de fevereiro, do atacado mais barato entre os pesquisados.

Na lista feita pela reportagem, a pessoa poderia adquirir:

  • (3) Arroz tipo 1 Fino Gosto 5kg – R$ 21,40
  • (2) Café almofada Pantanal 500g – R$ 5,49
  • (3) Farinha de trigo Rosa Branca 1kg – R$ 2,35
  • (5) Feijão Bem-te-vi 1Kg – R$ 6,19
  • (3) Fubá Pinduca 1kg – R$ 3,29
  • (1) Goiabada Predilecta 300g – R$ 2,39
  • (2) Leite em pó integral Itambé 400g – R$ 11,90
  • (4) Macarrão espaguete Dallas s/ ovos 500g – R$ 2,09
  • (5) Molho de tomate Fugini 340g – R$ 1,09
  • (2) Óleo Liza soja 900ml – R$ 5,89
  • (2) Sal Lebre 1kg R$ – 1,25
  • (2) Açúcar cristal Estrela 2kg – R$ 4,59
  • (2) Biscoito cream cracker Dallas 400g – R$ 3,49
  • (4) Sardinha lata Palmeira óleo 125g (líquido) / 84g (drenado) – R$ 4,29
  • (1) Água sanitária Candura 1L – R$ 1,89
  • (2) Creme dental Sorriso dentes brancos 90g – R$ 2,15
  • (2) Detergente líquido Minuano 500ml – R$ 1,89
  • (2) Esponja de lã aço Q’lustro 60g – R$ 1,25
  • (1) Sabão em barra Pequi 800g – R$ 7,28
  • (2) Sabão em pó PCT brilhante 800g – R$ 5,89
  • (4) Sabonete barra Lux 85g – R$ 1,55

Ao realizar a compra desses produtos, utilizando os preços disponibilizados pelo Procon-MS, o beneficiário gastaria um total de R$ 258,36, sobrando 116,64 para demais gastos ao longo do mês.

Essa mesma compra, realizada em um mercado no bairro Coophavila 2, custaria R$ 306,25. Caso o comprador optasse pelo mercado local, ficaria com apenas R$ 68,75 para os demais gastos mensais.

O que dá para uma família comer em um mês com auxílio de R$ 375 em Campo Grande?
Valores das compras ilustrados. (Foto: Montagem/Midiamax)

Pensando na utilização de todo o valor previsto para o retorno do auxílio emergencial para apenas a compra de alimentos, foi possível adquirir os seguintes produtos:

  • (2) Arroz Dallas 5kg – R$47,98
  • (3) Feijão Paquito – R$22,47
  • (1) Açúcar Estrela – R$5,49
  • (1) Trigo Dallas – R$2,99
  • (1) Farofa de Mandioca – R$5,49
  • (4) Leite Italac – R$17,56
  • (2) Macarrão – R$7,58
  • (1) Bolacha Água e Sal – R$3,99
  • (2) Extrato de Tomate D’ajuda – R$3,38
  • (2) Pasta de Dente – R$7,98
  • (2) Sabonete Palmolive – R$5,98
  • (1) Café Brasileiro – R$9,99
  • (1) Papel Higiênico 12 rolos – R$12,99
  • (2) Detergente Ypê 500ml – R$4,78
  • (1) Amaciante Carinho Azul 500ml – R$2,99
  • (1) Qboa Sanitária – R$3,49
  • (1) Sabão em pó Tixan – R$7,49
  • (1) Ovo Camva 30Un – R$17,99
  • (1) Margarina Doriana 500g – R$6,99
  • Banana Maçã 1Kg – R$7,99
  • Laranja 1Kg – R$2,39
  • Alho 100g – R$2,99
  • Repolho 1Kg – R$2,49
  • Batata 1Kg – R$4,99
  • Tomate 1Kg – R$3,49
  • Cebola 1Kg – R$4,49
  • Cheiro Verde maço -9 R$1,99
  • Carne Ponta de Peito 1Kg – R$26,99
  • Capa de Contra Filé 1Kg – R$29,99
  • Linguiça Caseira 1Kg – R$19,99
  • Coxinha de Frango 1Kg – R$13,99
  • Bisteca Suína 1Kg – R$18,99
  • Coxão Mole C/Capa 1Kg – R$36,99

Com uma compra assim, a pessoa usaria todo o valor de R$ 375,00, sem sobras para qualquer outro gasto mensal, seja com saúde ou transporte.

Valor do auxílio em discussão

Na segunda (8), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o novo auxílio emergencial deve ficar entre R$ 175 e R$ 375. Em uma transmissão pela internet na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro disse que o auxílio emergencial deverá ser retomado ainda no mês de março, com duração de quatro meses.

A equipe econômica do governo já defendeu o valor de R$ 200, mas parlamentares propõem pelo menos R$ 300.

O governo também quer reduzir a quantidade de beneficiários à metade, concedendo o auxílio a cerca de 32 milhões de brasileiros.

Jornal Midiamax