Cotidiano

Mato alto e estiagem causam incêndios diários e levam tensão a quem vive em barracos no Noroeste

Praticamente todos os dias, moradores de barracos do Jardim Noroeste passam pela tensão de ter as casas quase invadidas pelas chamas. Eles afirmam que nesta época, o mato alto e a estiagem são aliados para focos de incêndios na beira da BR-262, que acabam chegando perto dos barracos. Nesta terça-feira (30), a situação começou por […]

Dândara Genelhú Publicado em 30/03/2021, às 17h58 - Atualizado em 31/03/2021, às 14h46

Incêndios no Noroeste causam tensão diária em moradores de barracos. Foto: Leonardo de França | Midiamax.
Incêndios no Noroeste causam tensão diária em moradores de barracos. Foto: Leonardo de França | Midiamax. - Incêndios no Noroeste causam tensão diária em moradores de barracos. Foto: Leonardo de França | Midiamax.

Praticamente todos os dias, moradores de barracos do Jardim Noroeste passam pela tensão de ter as casas quase invadidas pelas chamas. Eles afirmam que nesta época, o mato alto e a estiagem são aliados para focos de incêndios na beira da BR-262, que acabam chegando perto dos barracos. Nesta terça-feira (30), a situação começou por volta das 13h.

Quando percebem que as chamas começam, algum dos moradores abre chamado no Corpo de Bombeiros para prevenir possíveis incêndios maiores. De acordo com quem vive na região, o maior perigo está quando o vento bate a favor dos barracos. Assim, as chamas podem chegar facilmente até eles.

Há oito anos na região, Valdemir Pereira, de 77 anos, afirma que nesta terça-feira (30), o fogo começou na BR por volta das 13h, mas logo estava perto dos barracos por causa do vento. Após chamado, duas viaturas dos Bombeiros foram até o local. No entanto, na hora o fogo estava na rodovia.

Mato alto e estiagem causam incêndios diários e levam tensão a quem vive em barracos no Noroeste
Valdemir explica que situação é recorrente. Foto: Leonardo de França | Midiamax.

“Quando começou estava tudo cinza, não dava para enxergar nada. Toda vez que fica muito seco o tempo já ligamos para os Bombeiros”, explica. O senhor mora com uma neta de 16 dias de vida e mais dois netos mais velhos. “É muito ruim, porquê agora tenho a bebê para cuidar nessa situação. Em época de seca, até quando joga bituca de cigarro já acende o fogo”, lamenta.

Tensão diária

Assim, Benedita Luzia da Senna, de 59 anos, relata que se assustou nesta tarde, quando percebeu que o fogo havia começado. “Estava deitada depois do almoço e levantei já escutando o barulho do mato queimando”.

Então, sozinha durante todo o dia, ela comenta que não consegue ficar muito tempo dentro de casa, pois o barraco dela é pouco antes do matagal e acaba sendo atingido por muita fumaça. “Moro aqui há sete anos e todo ano sempre queima”, diz a mulher.

Ela, que sofre de problemas nos rins, não consegue se locomover muito durante o dia. Assim, fica com medo do que pode ocorrer e acaba inalando muita fumaça. Segundo ela, quando acontece “qualquer lugar queima, vai queimando por toda parte. A minha vontade mesmo é de me mudar, mas não tenho condições”, desabafa.

Ação comunitária

Benedita destaca que muitas vezes os próprios moradores combatem os incêndios. Nesta terça-feira (30), um dos vizinhos conseguiu apagar pelo menos os focos que estavam perto das casas, para o fogo não chegar próximo dos barracos. David dos Santos, de 26 anos é um desses ajudantes comunitários.

Mato alto e estiagem causam incêndios diários e levam tensão a quem vive em barracos no Noroeste
Benedita acordou com o barulho do fogo. Foto: Leonardo de França | Midiamax.

O jovem montou um abafador com calça jeans e camisas para minimizar o fogo desta terça-feira. Ele explica que a casa dele fica bem embaixo do morro, na curva da BR. “Comecei a ver a fumaça subindo o morro e achei que chegaria em casa, que é toda de madeira”.

Assim, ele foi para o mato com o irmão para apagar o incêndio. Os homens usaram uma caixa d’água para juntar água e carregar de balde em balde até o foco da queimada.

Jairo Samaniego, 62 anos, destaca que a prevenção que a comunidade encontra é acionar os bombeiros quando o foco ainda é inicial. “Toda vez que percebemos que começa a queimar, temos medo de chegar nos barracos e chamamos os Bombeiros”.

Ele lembra que quanto mais alto o mato está, mais rápido o fogo se espalha. “Ano passado chegou a pegar fogo aqui na beirada”. Por fim, ele lembra que existe um projeto para criação de praça na região, mas “nem baixaram o matagal ainda”.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para posicionamento e previsões de obras na região. De acordo com a gestão, “a  Prefeitura vai implantar na área do antigo aterro de entulhos um parque de poderes radicais. O projeto está em fase de elaboração e a obra deve ser licitada no segundo semestre”.

Matéria alterada às 14h50 de 31/03/2021 para acréscimo do posicionamento da Prefeitura Municipal.

Jornal Midiamax