Cotidiano

Máscara só quando o cliente chega? Confira como se proteger em locais fechados contra o covid

Trabalhadores devem voltar à rotina na pandemia. Muitos trabalham em estabelecimentos fechados, é preciso tomar cuidado com coronavírus.

Mylena Rocha Publicado em 27/03/2021, às 14h30

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Em locais sem ventilação, partículas do coronavírus ficam suspensas no ar. (Foto: Ilustração/Midiamax)

Em uma cidade quente como Campo Grande, o ar condicionado é um item de primeira necessidade e muitos funcionários trabalham em escritórios ou estabelecimentos totalmente fechados, aumentando o risco de transmissão do coronavírus com a permanente circulação do mesmo ar no ambiente, sem troca. Por isso, é preciso tomar muito cuidado nesta fase da pandemia em Campo Grande.

São comuns os relatos entre colaboradores sobre o descuido com o coronavírus no ambiente de trabalho. Devido ao convívio diário, alguns trabalhadores consideram os colegas como se fossem da família e acabam dispensando o uso de máscaras, esquecendo que qualquer um pode estar infectado. 

Em alguns locais, o uso da máscara só acontece quando chega um cliente, mas é preciso ficar atento porque tanto o consumidor quanto o trabalhador podem ser infectados. Afinal, se os colaboradores estavam sem máscaras, os aerossóis ficam suspensos no ar quando o ambiente não tem ventilação. 

O infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) Julio Croda ressalta que qualquer um pode estar infectado, já que alguns contaminados podem estar assintomáticos. Além disso, uma pessoa infectada pode contaminar outra antes mesmo de apresentar os primeiros sintomas. 

“É por isso que a recomendação é usar a máscara o tempo todo. O cliente e o próprio funcionário podem ser infectados. Não sabemos quem tem o vírus ou não”, comenta Croda.

Janelas e portas abertas

Referência no estudo do coronavírus no Brasil, Julio Croda reforça que manter ambientes ventilados é importante. Para quem trabalha em locais fechados, por 4 ou 6 horas seguidas, o perigo da contaminação é ainda maior. “Quando menos ventilação natural, maior a chance de se contaminar, as partículas ficam suspensas”, diz o especialista.

O coronavírus é transmitido pelo ar e cientistas reconhecem o papel do contágio por aerossóis, que são partículas minúsculas exaladas pelo infectado e que ficam suspensas no ar quando o ambiente não tem ventilação. Quando uma pessoa contaminada respira, essas partículas invisíveis são exaladas e podem ficar suspensas no ar por um bom tempo.

Por isso, é fundamental que os ambientes permaneçam sempre com portas e janelas abertas e com ventilação, seja por ar condicionado ou por ventiladores, para que haja a renovação constante do ar e dissipação dos aerossóis. Com isso, além do uso constante de máscaras, é possível que os trabalhadores fiquem bem menos expostos á contaminação pelo coronavírus.

Atenção no uso das máscaras

Além de utilizar as máscaras o tempo todo, é preciso prestar atenção no modo de usar. Os acessórios devem cobrir a boca e o nariz para evitar a transmissão do coronavírus. Além disso, outra dica é utilizar máscaras do tipo PFF2, se possível. “Quanto maior a qualidade da máscara, melhor. A PFF2 seria ideal, é de melhor qualidade. Se não for possível, existe uma tendência de usar duas máscaras, uma cirúrgica na primeira camada e na segunda uma máscara de pano. Assim, permite fechar melhor, fazer a vedação boca e nariz”, orienta Julio Croda.

O infectologista da Fiocruz diz que o uso da máscara de pano ou cirúrgica é importante, mesmo que sozinhas, já que o fator crucial é utilizá-las corretamente. “Mais importante do que o material é a utilização correta das máscaras. No comércio, já vi muitas pessoas só cobrindo a boca ou com a máscara no queixo. O próprio servidor do estabelecimento só utiliza a máscara corretamente quando tem fiscalização”, frisa.

Nova variante do coronavírus

No início de março, o secretário Geraldo Resende confirmou o primeiro caso da variante P.1 do coronavírus em Mato Grosso do Sul. O caso foi identificado em um paciente de Corumbá, ele havia ficado por vários dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). “O paciente veio de Manaus – primeiro local onde a nova cepa foi identificada – e foi internado em Corumbá”, disse Resende.

Um estudo de epidemiologia genômica feito por cientistas brasileiros revela que pacientes infectados com a nova variante P.1, de origem no Amazonas, têm uma carga viral 10 vezes maior em secreções colhidas por amostras RT-PCR do que a média vista em cepas anteriores. Além disso, essa carga está também mais alta em homens e mulheres adultos com idade inferior a 60 anos.

A infectologista Iris Bucker ressalta que a nova cepa do coronavírus tem características diferentes e ainda mais perigosas, como a maior capacidade de contaminação e pelo fato de atingir pacientes mais jovens, levando à internação. “Se a gente imaginar que vai se espalhar mais rápido, a nossa situação pode ficar ainda mais crítica”.

Jornal Midiamax