Mais de 400 campo-grandenses pedem impeachment de Bolsonaro na Afonso Pena

Além do impeachment, manifestantes criticam o plano nacional de imunização contra a Covid-19 e as ações de combate a pandemia

Neste sábado (23), mais de 400 pessoas se reúnem em Campo Grande para protestar contra o presidente (sem partido). Além do impeachment dele, o plano de combate a pandemia e imunização contra o coronavírus são alvos de reivindicações.

A concentração teve início nos altos da Avenida Afonso Pena, às 10h. A passeata deve começar às 11h e ser encerrado por volta das 13h30. O trajeto definido pelos organizadores passa pela Afonso Pena, Padre João Cripa, Maracaju, Calógeras e volta para Afonso Pena, finalizando na Praça Ary Coelho.

Entretanto, os manifestantes não devem sair dos veículos no final do movimento, para não causar aglomeração. Um carro de som alertava os participantes para não furarem semáforos vermelhos e manterem as medidas de biossegurança. Além de “Fora Bolsonaro”, manifestantes fazem gritos com “governo negacionista”, “vacina sem discriminação”, “mais responsabilidade”.

Estão presentes no evento viaturas da , Guarda Municipal Metropolitana e Agentes de Trânsito. Por alguns minutos houve interdição de parte da Afonso Pena, mas o trajeto já foi liberado novamente para continuidade do protesto.

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Grupo de professores presentes na manifestação. Foto: Henrique Arakaki | Midiamax.

Participando da manifestação, junto com outros professores, Eugênia Portela, 54 anos, destacou que as reivindicações também são para o não retorno as aulas. A professora aposentada já deu aula para Reme (Rede Municipal de Ensino), atualmente atua no curso de pedagogia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e comenta que “as mulheres são as que mais sofrem durante a pandemia, principalmente porque não tem com quem deixar os filhos”.

Para ela, existe ainda a barreira tecnológica. No mesmo sentido, a professora da Reme, Leinad Velezes, 33 anos, afirmou que muitos pais investiram em planos de internet mais potentes para dar suporte aos filhos. “As crianças das escolas municipais, mesmo que sejam adotados ensino híbrido, não vão conseguir acompanhar as aulas”, apontou. Ela ressaltou que muitas precisam dos benefícios disponibilizados pela Prefeitura Municipal para ter acesso à internet na própria casa.

Plano de imunização falho

Tanto Eugênia, quanto Leinad, perceberam que ninguém da área educacional tem expectativa de ser vacinado. “Se o tivesse se organizado para distribuir as vacinas desde o início, em dezembro, até mesmo os professores poderiam estar vacinados na volta às aulas”, disse Leinad.

Frentes de movimentos contra o e principalmente ao Bolsonaro se uniram para realizar o evento. A bacharel em direito e representante dos Juristas pela Democracia, Sonia Flores, afirmou que o grupo acredita que a postura do Bolsonaro não é de um chefe de estado.

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Manifestantes carregam bandeiras pedindo impeachment de Bolsonaro.
Foto: Henrique Arakaki | Midiamax.

Até mesmo uma frente de fiéis cristãos estava presente no protesto. O pastor Queiroz, 57 anos, faz parte da Igreja Batista e dos Cristãos pela Democracia. Os integrantes do grupo criticam o plano de vacinação e a forma que a pandemia tem sido tratada pelo presidente. “Entendemos que é um momento complexo para a saúde do povo”.

O pastor admitiu que boa parte dos cristãos é a favor das ações de Bolsonaro. “Temos consciência que somos minoria, o nosso posicionamento com a nossa fé é diferente de um posicionamento político”.

Por fim, vendedores ambulantes também participam da manifestação. Neste caso, o objetivo é outro: o lucro. Junior Batista, 35 anos, aproveita os protestos para vender produtos e garantir a renda da família. Entretanto, as vendas acontecem independente do posicionamento político do evento. Porém, afirma que quando os protestos são a favor do Bolsonaro o lucro dele é maior. “São sempre pessoas com mais condições financeiras, quando é a favor, vendo muito mais bandeiras do Brasil”.

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