Cotidiano

Governo de MS envia medicamento de kit intubação que dura menos de 2 dias para a Santa Casa

Hospital estava com baixo estoque e reclamou não ter recebido remédio da SES

Gabriel Maymone Publicado em 03/04/2021, às 21h56

Santa Casa de Campo Grande
Santa Casa de Campo Grande - Arquivo

Após emitir comunicado público com apelo à SES (Secretaria Estadual de Saúde) por medicamento que faz parte do kit intubação, a Santa Casa recebeu do governo de Mato Grosso do Sul 325 ampolas do rocurônio, bloqueador muscular utilizado em pacientes intubados. Entretanto, conforme o próprio hospital, o consumo médio diário de uso deste medicamento é de 250 ampolas diárias. Ou seja: a quantidade enviada pelo Estado é suficiente apenas para domingo e parte da segunda-feira.

Na tarde deste sábado (03), o hospital havia emitido nota informando que não estava na lista da SES na distribuição de medicamentos feita em  hospitais públicos e particulares na quinta-feira (1º).

Em nota emitida na noite deste sábado (03), o hospital afirma que foi informado pelo governo de que não recebeu os medicamento antes, pois havia "priorizado o envio de medicamentos para hospitais que, naquele momento, apresentavam m aior necessidade e, por isso, a Santa Casa de Campo Grande não havia sido contemplada", diz a nota, apesar do hospital ser usado como retaguarda na pandemia, ou seja, recebe  pacientes não covid, mas também destinou 120 leitos exclusivos para pacientes com a doença para atender a necessidade do poder público.

Apelo

Conforme nota do hospital, neste sábado (03), restam apenas 116 ampolas do medicamento, sendo que o consumo médio diário é de  250 ampolas.

O hospital critica o governo do Estado por ter excluído a Santa Casa da distribuição na quinta-feira. "Vale destacar que a última disribuição de medicamentos aos hospitais públicos e particulares de Mato Grosso do Sul realizada pelo governo do Estado há dois dias, em 1º de abril, não contemplou a Santa Casa de Campo Grande", diz o hospital em nota.

O comunicado reforça que apesar do hospital ser considerado de retaguarda durante a pandemia, ou seja, atende casos de pacientes não covid, a instituição designou 120 leitos exclusivos para pacientes covid "atendendo à necessidade do poder público".

Superlotação e caos

Na quinta-feira (1º), a Santa Casa emitiu nota alertando para o aumento de internação de pacientes vítimas de acidentes graves e de crimes. Assim, cerca de 8 pessoas, sem Covid-19, esperavam por um leito de CTI (Centro de Terapia Intensiva).

Dos pacientes, todos estão em salas de estabilização, 2 no ambulatório do Pronto-Socorro. Os internados no Centro Cirúrgico foram transferidos para outras unidades, não houve óbito no setor. A ocupação de leitos adulto não-covid é de 100%.

Ainda conforme o hospital, pacientes estão de forma improvisada. “Outros 6 pacientes estão em salas do centro cirúrgico, ou seja, estas salas ficam “travadas” para cirurgias até que esses pacientes consigam vaga no CTI”, finaliza.

Jornal Midiamax