Cotidiano

‘Fecha tudo’ gera estabilidade, mas especialista defende continuar com restrições em MS

Infectologista aponta que restrições devem continuar até que o Estado tenha taxa de ocupação de leitos de UTI em 80%

Mylena Rocha Publicado em 05/04/2021, às 09h31

Infectologista recomenda que a população não se descuide neste momento.
Infectologista recomenda que a população não se descuide neste momento. - Henrique Arakaki/Midiamax

Após vários dias com restrições nas atividades comerciais, os dados sobre o coronavírus apresentam estabilidade em Mato Grosso do Sul. Com ‘fecha tudo’ no comércio e toque de recolher às 16h nos final de semana, o Estado apresentou uma leve melhora nos dados de casos novos de coronavírus e de internações. Porém, para conseguir sair da situação de colapso na saúde, especialista defende que MS deveria continuar com restrições pelos próximos dias. 

Depois de uma semana de decreto municipal em Campo Grande e mais 10 dias com decreto em todo o Estado, as atividades são retomadas a partir desta segunda-feira (5). O toque de recolher foi definido de acordo com a classificação de cada cidade, mas de maneira geral, quase todas as atividades não essenciais voltam a atender em MS.

O infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Julio Croda, explica que houve uma leve estabilidade nos dados apresentados no boletim epidemiológico do coronavírus. “Foi observado nos últimos dois dias uma estabilização/leve redução de novos casos e internações”, observou.

Porém, o infectologista ressalta que com o retorno das atividades não essenciais, MS pode passar por uma semana estável e depois enfrentar um novo aumento de casos. Croda afirma que as restrições no Estado deveriam continuar até que Mato Grosso do Sul alcançasse a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de 80%. Conforme dados desta segunda (5), MS tem uma taxa de ocupação de 103%.

O especialista defende que adotar medidas ainda mais rígidas, com o lockdown, poderia ajudar o Estado a alcançar a taxa de 80% de ocupação de leitos mais rapidamente. Ou seja, quanto maior a restrição, mais rápido MS poderia retomar a rotina.

Enquanto o Estado não adota medidas mais rígidas, a recomendação é que a população continue se cuidando. “Podemos mudar essa história, precisamos cada vez mais do apoio da sociedade. Use máscara, mantenha o distanciamento e denuncie qualquer aglomeração”, orienta Julio Croda.

Faltam leitos em MS

Mesmo após 10 dias de restrições ao comércio e serviços e ampliação do toque de recolher, Mato Grosso do Sul está com taxa de ocupação de leitos UTI (Unidade de Terapia Intensiva) maior. O número subiu dos 100% no início do decreto para 103% na manhã desta segunda-feira (5).

Conforme o painel Mais Saúde, da SES (Secretaria Estadual de Saúde), no dia 26 de março, 1º dia de restrições a atividades consideradas não essenciais, MS tinha disponível 533 leitos críticos para pacientes com covid. Até então, todos estavam ocupados.

Dez dias depois, nesta segunda-feira, os dados repassados pelos próprios hospitais indicam que há superlotação de 103,49%. Isso significa que, dos 573 leitos da rede hospitalar do Estado, há 593 pacientes. Ou seja: o sistema de saúde está atendendo além da capacidade. 

Jornal Midiamax