Cotidiano

Falta de troco, cancelamento e ofensas: campo-grandenses narram ‘lista de hostilidades’ em aplicativos de carona

Os aplicativos de carona remunerada redesenharam os modelos de mobilidade urbana em todo o mundo. Em Campo Grande, trocar o ônibus por uma corrida de aplicativo já é primeira opção de muita gente, devido ao custo-benefício, considerando inclusive o preço salgado da passagem de ônibus. Porém, a lista de reclamações dos usuários também é grande, […]

Ranziel Oliveira Publicado em 25/01/2021, às 15h55 - Atualizado em 26/01/2021, às 07h27

 Ilustrativa (Foto: Arquivo / Jornal Midiamax)
Ilustrativa (Foto: Arquivo / Jornal Midiamax) - Ilustrativa (Foto: Arquivo / Jornal Midiamax)

Os aplicativos de carona remunerada redesenharam os modelos de mobilidade urbana em todo o mundo. Em Campo Grande, trocar o ônibus por uma corrida de aplicativo já é primeira opção de muita gente, devido ao custo-benefício, considerando inclusive o preço salgado da passagem de ônibus. Porém, a lista de reclamações dos usuários também é grande, proporcionada por uma pequena parcela de motoristas que, por uma razão ou outra, não oferecem o serviço esperado.

Foi o caso de uma moradora da Vila Jacy, em Campo Grande, que passou por apuros no último domingo (17), após a cunhada solicitar uma corrida de motorista de aplicativo. A mulher decidiu cancelar, mas o motorista não gostou muito e acabou lançando uma pedra no portão da residência. Tudo foi filmado pelas câmeras de segurança da casa.

É o que conta a farmacêutica Muriel Marques Maidana, de 34 anos. Ao Jornal Midiamax, ela relata que uma corrida par ir ao médico casou mais dor de cabeça do que a preocupação com os exames de rotina do filho. “Estava indo levar meu filho em uma consulta e o motorista foi extremante grosseiro quando avisei que só tinha uma nota de R$ 50”, explicou Maidana.

A corrida deu um total de R$13,80, porém, a farmacêutica só tinha R$12,80 trocado e informou o motorista que só teria uma nota de 50. “Ele esbravejou dizendo que não era banco e que não tinha trocado, era para eu me virar pois ele não tinha como me passar o troco”, relatou a farmacêutica.

Indignada, ela foi até um comércio próximo e trocou o dinheiro. “Troquei o dinheiro para ele, mas foi super desconfortável a situação, o tom de voz dele estava muito agressivo”, explicou. Além disso, a mesma acredita que seria preciso uma melhor seleção dos profissionais que atuam no setor. “No geral a empresa não peneira muito e aceita qualquer um como motorista de aplicativo” finalizou.

Corrida com adicional de Injúria e ameaça

Uma situação pior aconteceu com uma usuária de 32 anos, que preferiu não se identificar por medo de represálias do motorista. O fato ocorreu no dia das eleições, em 2020, durante uma corrida compartilhada. “Da minha casa até o destino deu R$5,90, no carro estava eu, meu filho de 4 anos e o meu bebê colo. Estava ciente que era uma corrida com mais pessoas, mas depois entraram 3 pessoas e uma criança de colo”, explicou.

A passageira informou que além das leis de trânsito, o motorista havia quebrado as regras de biossegurança na pandemia. A mesma ignorou o fato e seguiu viagem, porém na descida dos passageiros a situação começou a se agravar. “Na hora dos três descerem, ele não tinha troco. Uma passageira falou que isso não era problema dela e começaram a discutir por cinco centavos”, detalhou.

Quando o ponto de parada se aproximou o GPS apontava para um lugar com matagal, o que por um motivo desconhecido, deixou o motorista irritado. “Uma mulher da região explicou que o mapa sempre indicava o local errado naquele endereço e que seria necessário fazer a volta. Ele saiu arrancando, bravo, meu filho bateu a cabeça no banco”, desabafou.

A autônoma, já com medo, contou que ofereceu mais dinheiro pela corrida para que as hostilidades fossem encerradas, mas de nada adiantou. “A corrida deu R$ 6,00 eu ofereci uma nota de R$ 50,00 e falei para ele ficar com R$10,00, mas ele disse: Eu não quero seu dinheiro, enfia naquele lugar, da próxima vez chama Solurb para transportar você, porque quem transporta lixo é a Solurb”, explicou.

O motorista saiu em alta velocidade, mas deu marcha ré no carro para intimidar a passageira, pronunciando ameaças. “Quando fui avaliar já estava bloqueada, denunciei ele para o aplicativo e fiz um boletim de ocorrência. Quando publiquei nas redes sócias, outras pessoas falaram que tinham passado o mesmo com ele. A empresa disse que ia tomar providências, mas que não ia divulgar dados”, finalizou.

Um ato de bondade

Mas, as histórias de ocorrências em aplicativos de carona também têm final feliz: a microempresária Thaymara Barbosa, de 22 anos, acompanhou de perto o ato de bondade de um motorista de aplicativo. No dia 13 de novembro de 2021, o seu irmão mais novo rompeu o cisto e foi de ambulância, acompanhado da mãe, para uma unidade de emergência após desmaiar.

Na hora de voltar para casa, os motoristas de aplicativos eram informados do incidente e que o seu irmão estava sujo e com mau cheiro. “Quatro motoristas recusaram até que um aceitou, ele foi muito educado, entendeu a situação e foi dirigindo devagar porque sabia que meu irmão estava com dor”, explicou Thaymara.

No decorrer da viagem, o motorista ainda tentou alegrar o irmão de Thaymara, buscando entreter a vítima. “O motorista fez piadas para distrair meu irmão. Ele estava muito constrangido no posto de saúde, porque sabia que estava com mau cheiro”, finalizou Thaymara.

Jornal Midiamax