Exposição que retrata condições do trabalho escravo em MS começa amanhã

Fotos serão expostas nos shoppings Campo Grande e Norte Sul Plaza

Entre os dias 25 e 7 de fevereiro, o MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) promoverá a exposição fotográfica “Trabalho Escravo”, nos shoppings Campo Grande e Norte Sul Plaza, na Capital. A mostra, gratuita e aberta ao público, reúne 25 imagens que retratam as condições laborais degradantes às quais foram submetidos trabalhadores resgatados de propriedades rurais situadas em diversas regiões de MS.

A ação marca o dia 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e o Dia do Auditor Fiscal do Trabalho. A data foi instituída em homenagem aos auditores Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e ao motorista Aílton Pereira de Oliveira, mortos em 2004 por investigarem denúncias de em fazendas no município de Unaí (MG).

O objetivo é apresentar à população a realidade da escravidão moderna, já que práticas como a submissão a trabalhos forçados, jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho ou servidões por dívida muitas vezes não são associadas ao .

As imagens foram capturadas por auditores fiscais do trabalho durante operações conjuntas realizadas em fazendas de municípios como Nioaque, Porto Murtinho, Miranda, Corumbá, entre outras localidades, e demonstram, por exemplo, a água turva e com aspecto leitoso fornecida pelos empregadores para trabalhadores matarem a sede após exaustivas jornadas, colchões imundos, jogados ao chão de uma cobertura de pau a pique, buracos cavados fazendo as vezes de sanitário.

A iniciativa é realizada em parceria com a Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo no Estado do Mato Grosso do Sul (Coetrae/MS), vinculada à Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), e Superintendência Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul (SRT-MS), e foi custeada com recursos oriundos de multa trabalhista.

Escravidão moderna

Somente em 2020, o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) instaurou procedimentos motivados por operações conjuntas de resgate a 63 trabalhadores que se encontravam em condições análogas às de escravo em quatro diferentes estabelecimentos, todos eles localizados na área rural do Estado.

O número de resgates é 46% superior ao de 2019, quando 43 trabalhadores foram flagrados nestas condições, em seis propriedades rurais. As operações foram realizadas com a participação de auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar Ambiental e Ministério Público Estadual.

No ano passado, o MPT-MS celebrou cinco Termos de Ajuste de Conduta (TACs), com empregadores que se comprometeram a ajustar condutas irregulares relacionadas ao trabalho análogo ao escravo, ajuizou oito Ações Civis Públicas (ACPs) e emitiu 182 notificações, ofícios e requisições e 348 despachos relacionados ao tema em todo o Estado.

Exposição que retrata condições do trabalho escravo em MS começa amanhã
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