Cotidiano

Donos de pitbull envolvidos em ataques podem responder até por maus-tratos em Campo Grande

Donos de pitbull que se envolvem em ataques a pessoas e animais em Campo Grande podem ser multados e responderem até por maus-tratos

Gabriel Neves Publicado em 29/03/2021, às 15h00 - Atualizado em 30/03/2021, às 10h26

Delegado explica que os ataques, muitas vezes, são uma consequência da forma como esses animais foram criados. (Foto ilustrativa: Leonardo de França/Midiamax)
Delegado explica que os ataques, muitas vezes, são uma consequência da forma como esses animais foram criados. (Foto ilustrativa: Leonardo de França/Midiamax) - Delegado explica que os ataques, muitas vezes, são uma consequência da forma como esses animais foram criados. (Foto ilustrativa: Leonardo de França/Midiamax)

Pitbull atacando, seja outros animais ou pessoas, é um incidente que costumar ocorrer em Campo Grande, em uma fuga no momento de abrir o portão ou em um passeio sem coleira, que faz com que o animal se torne protagonista de um ataque.

Em muitos desses casos, o pitbull ataca outras pessoas por irresponsabilidade de seus donos tanto em um momento de desatenção, mas também na própria criação do animal, que para algumas pessoas, o animal de grande porte não se trata de um companheiro, mas sim de um ‘símbolo de poder’.

Luciana Oliveira de Jesus Santos, 36 anos, sentiu o que é passar por uma situação desse tipo. Durante uma visita a sua sogra, no momento em que passeava com seu cachorro de pequeno porte, viu o animal ser atacado por um pitbull no meio da rua. No entanto, não denunciou o ataque.

“Ele fugiu na hora que abriram o portão eu acho e foi ‘pra’ cima do meu cachorro, na hora meu marido deu alguns chutes no pitbull e conseguiu salvar nosso cachorro, mas ele estava muito ferido e não achamos um veterinário aberto por ser domingo, ai no outro dia ele não aguentou e morreu”, explicou Luciana – “minha sogra disse que uns dias depois ele atacou um outro cachorro’, finalizou.

Por conta de casos como o da Luciana, que o delegado titular da Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), Maércio Alves Barbosa, está instaurando inquéritos e tentando fazer com que os donos desses animais respondam por crime com pena maior.

“A delegacia passou a dar maior atenção para esses casos agora em 2021, porque nesse tipo de situação o dono do animal responde por omissão de cautela, mas queremos que ele seja enquadrado no crime de maus tratos”, disse o delegado, explicando que a abertura de inquérito não é exclusiva para donos de pitbulls.

Portanto, alguns desses casos podem ser enquadrados como crimes de maus tratos, porque o ataque do animal é uma consequência de como ele foi criado. “Tem pessoas que criam seus cachorros para posarem como se tivessem uma arma, para colocar medo nos outros, aí o cachorro se torna um animal raivoso e quando escapa ou é solto acaba atacando pessoas ou outros animais”, explicou.

Pitbull e fama de bravo

“E outra, quando esse animal ganha essa fama de ‘bravo’ na rua, as pessoas sentem medo e podem acabar agredindo o cachorro, o envenenando, essa má criação pode causar danos para a sociedade e para o próprio animal”, complementou.

O delegado conta que a pena por omissão de cautela vai de 15 dias a 3 meses, já de maus tratos é de 2 anos a 5 anos, e essa punição mais severa pode acabar fazendo com que os donos tenham mais consciência ao criar seus animais.

Somente esse ano, de acordo com registros da Polícia Civil, foram registradas quatro ocorrências de omissão de cautela, apesar do registro não é possível confirmar se todos os casos resultaram em ataques. Em relação ao crime de maus-tratos, foram 21 registros entre 1° de janeiro a 24 de março.

O caso ais recente noticiado pelo Jornal Midiamax, se trata de uma adolescente, 17 anos, que agrediu um dos cachorros da família e foi atacada pelo próprio pitbull. De acordo com o irmão da vítima, o cachorro sofrido maus-tratos e chegou a ter o nariz queimado pela antiga dona. Por isso, quando ele percebe qualquer tipo de agressão aos outros animais, acaba reagindo.

Já em fevereiro, outro caso de um animal que foi atacado por um pitbull e se fingiu de morto para conseguir sobreviver. O cachorro sem raça definida, se passou de morto e com sorte saiu vivo da situação. Ele teve um corte na cabeça e ficou com o pescoço inchado devido ao ataque.

Ainda no mesmo mês, um caso parecido, mas dessa vez o animal que sofreu o ataque não conseguiu sobreviver. O caso aconteceu no Jardim Itamaracá, quando um pitbull fugiu de casa no momento em que seus donos iam para a padaria e acabou atacando outro animal na rua.

Até mesmo uma égua já foi vítima de um ataque parecido. Um pitbull atacou o animal, que conseguiu sobreviver graças aos moradores próximos que laçaram o cachorro e conseguiram sessar o ataque a tempo. O caso ocorreu em janeiro deste ano.

Ainda segundo o titular de Decat, somente este ano, em quatro casos de ataques de cachorros, seja contra outros animais ou pessoas, foram instaurados inquéritos para que os donos respondam por crime de maus-tratos. Vale lembrar que antes os casos são investigados para que a mudança de pena possa ocorrer.

Jornal Midiamax