Cotidiano

Com máscaras N95 falsas no mercado, infectologistas recomendam proteção de tecido

Infectologistas destacam que a boa e já conhecida máscara de tecido é mais eficiente do que uma N95 falsa.

Dândara Genelhú Publicado em 27/02/2021, às 16h02 - Atualizado às 16h26

Máscaras de tecido são as mais vistas nas ruas de Campo Grande. Foto: Leonardo de França | Midiamax.
Máscaras de tecido são as mais vistas nas ruas de Campo Grande. Foto: Leonardo de França | Midiamax. - Máscaras de tecido são as mais vistas nas ruas de Campo Grande. Foto: Leonardo de França | Midiamax.

Com a recomendação de diversos governos europeus de que as máscaras N95 são mais eficientes contra o Coronavírus, a procura pelos itens aumentou no Brasil. Entretanto, existem muitos produtos falsificados sendo comercializados. Assim, infectologistas destacam que a boa e já conhecida máscara de tecido é mais eficiente do que uma N95 falsa.

De acordo com dados do Google, em janeiro as buscas por máscara n95 cresceram 20%, em relação a dezembro de 2020. Os valores de comercialização do produto variam, em Campo Grande, por exemplo, a unidade divulgada em sites de comércio vai de R$ 5 até R$ 27,5.

Com máscaras N95 falsas no mercado, infectologistas recomendam proteção de tecido
Máscaras N95 podem ser encontradas em farmácias. Foto: Leonardo de França | Midiamax.

Assim, a infectologista Raquel Stucchi destaca que é importante se atentar aos detalhes do produto. No entanto, afirma que só há garantia de que o item é original se ele for desmontado para chegar as camadas. “A aparência pode enganar. Só é possível afirmar se um produto é original ao checar se ele tem todas as camadas de proteção”, explica.

Em entrevista à CNN, a especialista esclarece que a N95 deve ter as seguintes camadas: uma externa de fibra sintética de polipropileno; a do meio de fibras sintéticas estrutural; a filtrante de fibra sintética com tratamento eletrostático; e por fim, a camada interna de fibra sintética de contato facial.

Máscaras caseiras como primeira opção

Vale lembrar que no Brasil não foi feita a recomendação do uso coletivo de máscaras N95 ou cirúrgicas. Então, mesmo com a comprovação da eficiência destes EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), a máscara de tecido continua sendo a sugerida no país.

Assim, a Raquel afirma que é possível conter a disseminação do coronavírus no Brasil com o uso correto das máscaras de tecido. “É melhor uma máscara de tecido feita em casa do que uma N95 falsa”, destaca a infectologista.

Além disto, ela explica que “para Covid-19, em uso cotidiano, não há recomendação de uso de N95. Não tem utilidade porque a transmissão da Covid-19 na comunidade é por gotículas. Para bloquear a transmissão por gotículas, a máscara de tecido cumpre bem o seu papel, desde que seja produzida corretamente”.

Ainda pretende comprar uma N95?

Se a resposta for sim, você deve se atentar para alguns aspectos dos EPIs. Para evitar compras de produtos falsos e possíveis riscos à saúde, a infectologista afirma que sempre “devemos desconfiar de máscaras cirúrgicas que oferecem um preço muito reduzido”.

Com máscaras N95 falsas no mercado, infectologistas recomendam proteção de tecido
Foto: Leonardo de França | Midiamax.

No mais, ela listou alguns pontos que devem ser chegados durante a compra online do produto e como verificar a qualidade da máscara N95 adquirida:

  • Verificar se o anúncio possui erros de digitação, falhas ou textos fictícios de recomendação
  • Desconfiar de produtos com propaganda no nome seguido de “original”, “real”, “genuíno”. Pois marcas bem conceituadas e vendedores confiáveis não precisam provar a qualidade do item desta forma
  • Cheque os comentários do produto
  • Verifique se o comerciante vende aquele item ao longo do tempo ou se começou recentemente
  • Quando a máscara chegar, confira se ela possui marcação da aprovação do Inmetro de forma legível
  • Conferir se o produto segue as especificações da ABNT, de acordo com o documento oficial
  • Verifique as marcações exigidas pelo Inmetro, que são de classe da PFF – S ou SL -, identificação do fabricante e lote de fabricação
  • Por fim, na embalagem do produto devem vir as informações sobre: identificação do fabricante; classe da PFF (PFF1, PFF2 ou PFF3), seguida das siglas (SL) ou (S) de acordo com a sua capacidade de resistência ou não ao aerossol oleoso
Jornal Midiamax