Cotidiano

Com Ernesto Geisel interditada há meses, comerciantes acumulam prejuízos e se preparam para fechar as portas

A avenida Ernesto Geisel é uma das principais vias que ligam os extremos de Campo Grande. Em obras desde 2018, trecho da via que permanece interditado há cerca de 8 meses é ponto de comerciantes que insistem em permanecer no local, mesmo com a queda de até 80% no movimento. Para quem tem comércio entre […]

Ranziel Oliveira Publicado em 01/03/2021, às 15h00 - Atualizado às 15h22

Obras na avenida Ernesto Geisel (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)
Obras na avenida Ernesto Geisel (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax) - Obras na avenida Ernesto Geisel (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

A avenida Ernesto Geisel é uma das principais vias que ligam os extremos de Campo Grande. Em obras desde 2018, trecho da via que permanece interditado há cerca de 8 meses é ponto de comerciantes que insistem em permanecer no local, mesmo com a queda de até 80% no movimento. Para quem tem comércio entre as ruas Bom Sucesso e Ceres, o momento é de preparação para fechar as portas.

Tocando sua oficina mecânica desde 1998, Edson Tamazato, de 62 anos, sente os reflexos do pior momento econômico que viveu, e já cogita a venda do seu negócio. “Não está entrando dinheiro, o movimento caiu 70%, estou pensando em vender, não sei quanto tempo essa obra vai ficar ”, disse Tamazato.

Com a via bloqueada, a chegada de novos clientes é praticamente nula e alimenta o temor de qualquer trabalhador, que observa as contas se acumulando a  cada semana de atraso nas obras. “A gente se sente lesado, a gente não consegue suprir a família, pagar água e luz”, desabafou.

Com Ernesto Geisel interditada há meses, comerciantes acumulam prejuízos e se preparam para fechar as portas
Avenida está intransitável em diversos trechos (Foto: Leonardo de  França / Jornal Midiamax)

A situação torna-se mais caótica para quem aluga o ponto comercial. Com a locação beirando a casa dos R$ 2 mil, o proprietário de uma garagem já estuda desistir do local. “Está horrível, na verdade a gente está de teimoso, porque condições não tem. Semana passada eu conversei com a dona pra quebrar o contrato e ir para outro lugar”, disse Fábio Augusto, de 48 anos.

Além dos carros nunca ficarem limpos, o garagista já perdeu 80% do movimento, devido à falta de acesso na avenida e a dificuldade de chegar no local. “Ninguém acerta vir por dentro do bairro e os clientes não passam aqui na frente, não tem via”, finalizou Augusto.

Para o dono de uma auto portas para veículos, o portão que dá acesso à rua Ouro Branco tem sido a salvação em tempos de escassez de fluxo. “O cliente passava e já via, parava para orçar, isso não tem mais. Se eu não tivesse o portão [dos fundos] eu estava morto”, explicou Márcio Cardoso, de 59 anos.

O capital financeiro da empresa é mantido somente por clientes já fidelizados, que ligam procurando. Com um prejuízo acima dos 60%, o proprietário se sente abandando pelo poder público. “A gente se sente prejudicado, não dão satisfação”, Finalizou Cardoso.

O que diz a prefeitura

Iniciada em 2018, a obra de revitalização da Avenida Ernesto Geisel foi retomada e tem previsão para ser concluída apenas em 2022. A obra passou por problemas ao longo dos anos com empreiteira sem funcionários, falta de repasse do Governo Federal e também danos devido às chuvas, onde encosta chegou a desmoronar em fevereiro de 2020.

Com Ernesto Geisel interditada há meses, comerciantes acumulam prejuízos e se preparam para fechar as portas
Operários cortando o asfalto (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

De acordo com a prefeitura municipal, atualmente os operários trabalham na conclusão da implantação do interceptor de esgoto e nos próximos dias, deverá ser refeito o pavimento da avenida, além de iniciada a construção do muro de gabião na margem do Rio Anhanduí, sentido bairro-centro.

A revitalização da Ernesto Geisel e do Rio Anhanduí é de responsabilidade de duas empresas, a Gimma Engenharia e a Dreno Construções, que venceram a licitação orçada em R$ 26,5 milhões em 2018, sendo que o ‘ponta-pé’ da obra aconteceu no mesmo ano.

Segundo informações recentes da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) já foi executado o valor de R$ 14,4 milhões em 57% da obra. No lote 3, a obra é feita entre as ruas Bom Sucesso e do Aquário. A obra conta com investimento de R$ 15,5 milhões, já foi executado o valor de R$ 7,2 milhões em 46% da obra.
Jornal Midiamax