Cotidiano

Com atividades e notificações fora de horário, ensino à distância pode gerar ansiedade

Estudantes reclamam que atividades escolares já não se restringem aos horários de aula

Mylena Rocha Publicado em 04/04/2021, às 07h30

Alunos enfrentam dificuldades mesmo após um ano de EaD.
Alunos enfrentam dificuldades mesmo após um ano de EaD. - Divulgação/MCTIC

O ensino à distância mudou completamente a rotina dos estudantes em Mato Grosso do Sul, mas mesmo depois de um ano de pandemia, alunos ainda têm dificuldades para lidar com a nova realidade. Sem as aulas presenciais, tudo acontece no online: aulas, comunicados de professores e grupos de trabalho entre alunos. Porém, o problema é que as atividades escolares já não se restringem aos horários de aula e a situação pode gerar ansiedade nos alunos. 

É comum ouvir relatos de estudantes que já não aguentam mais tantos trabalhos. Com as aulas à distância, notificações sobre atividades e dos grupos de discussão entre colegas chegam no celular durante a noite e até nos finais de semana. Assim, fica difícil esquecer os estudos e ter um momento 100% dedicado ao lazer. 

O psicólogo clínico Robson Verão explica que o ensino à distância precisou ser adotado por questões sanitárias, para evitar a contaminação pelo coronavírus, mas frisa que é preciso respeitar os horários. “Não tem porque o professor mandar uma atividade no domingo, por exemplo. Se não cabe no horário escolar, pode gerar muita ansiedade”, diz.

O especialista afirma que o ensino remoto ainda é novo e que a nova realidade precisa ser trabalhada pelos alunos e também pelos pais, que muitas vezes duvidam que o filho esteja realmente aprendendo. “As coisas vão mudando, quanto mais a gente trabalha, mais a gente pode aproveitar”, diz.

A recomendação é recorrer aos gestores da escola ou universidade caso algum professor esteja ‘passando do ponto’. Com relação à saúde mental, o psicólogo orienta a terapia. “Como psicólogo clínico, a gente orienta fazer a análise, a terapia. Muitas vezes, essas questões externas nos prejudicam muito porque a forma de lidar com isso não está resolvida ou traz uma questão emocional na vida da pessoa. Eu vou lidar com as questões externas de forma muito subjetiva e pessoal, trabalhar isso na terapia faz com que a pessoa lide melhor com essas questões”, afirma. 

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