Cotidiano

Aulas remotas fazem crianças ‘grudar’ em telas e procura por oftalmologistas explode em MS

Aulas à distância por videochamada, presenciais ou híbridas, alternando os formatos. Com a pandemia da Covid-19 e o consequente distanciamento social, estudantes e escolas tiveram que se adaptar a novas formas de ensino em Mato Grosso do Sul. Com os olhos ‘grudados’ nas telas, os problemas de retina apareceram com maior frequência nos estudantes e […]

Mariane Chianezi Publicado em 28/03/2021, às 09h50 - Atualizado às 15h02

Foto: Ilustrativa/Certus
Foto: Ilustrativa/Certus - Foto: Ilustrativa/Certus

Aulas à distância por videochamada, presenciais ou híbridas, alternando os formatos. Com a pandemia da Covid-19 e o consequente distanciamento social, estudantes e escolas tiveram que se adaptar a novas formas de ensino em Mato Grosso do Sul. Com os olhos ‘grudados’ nas telas, os problemas de retina apareceram com maior frequência nos estudantes e a procura por oftalmologistas ‘explodiu’.

De acordo com oftalmologista, Roberto Nascimento, a procura por consultas em consultórios especializados cresceu em torno de 40% no último ano. O médico explica que antes da pandemia, as crianças usavam menos celulares e computadores, mas diante das adaptações no ensino, o uso dos eletrônicos aumentou e, com isso, os problemas de visão.

“Mesmo quando as crianças não estão estudando, elas estão jogando nas telas. E a regra básica é que quanto mais tempo e menor a tela, pior. Antes da pandemia, eu aconselhava [usar telas] de 2 horas a 2horas e meia, intercalando no dia, mas com a pandemia, fica difícil controlar”, comentou o oftalmologista à reportagem.

Sem previsão para retornarem às salas de aula, principalmente no ensino público, os pais precisam ficar atentos aos comportamentos do filho e sintomas de possível necessidade de usarem óculos. O especialista comenta que as reações mais comuns são a vermelhidão nos olhos, ardência, coceira, lacrimejamento e dores de cabeça.

Ainda segundo Nascimento, os problemas mais comuns de visão nas crianças são a miopia, astigmatismo e hipermetropia. Sendo a mais comum, a miopia. “A maioria das crianças [que se consultam] são míopes. A recomendação para crianças e jovens é que façam uma consulta a cada 6 meses, mas agora tem sido feito com menos tempo, até porque muitas crianças que já usavam óculos, estão aumentando o grau ainda mais”, revelou o doutor.

Exame poderá ser gratuito aos alunos

Está tramitando na Alems (Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul) projeto de lei que garante aos alunos de baixa renda na rede pública direito a exame oftalmológico no início de cada ano letivo. Pela proposta, o Estado deverá também doar óculos de grau ao estudante, caso seja recomendado.

Se virar lei, o governo terá que regulamentar e definir o detalhamento técnico do programa. Na justificativa, é apontado que os alunos estão tendo aulas remotas durante a pandemia, usando computadores, laptops, tablets e smartphones, aparelhos que poderiam causar problemas de visão.

30% das crianças têm problema de visão

O CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) estima que até 10% dos brasileiros de 7 a 10 anos precisam usar óculos. De acordo com o Ministério da Saúde, 30% das crianças em idade escolar no Brasil apresentam problemas de visão, que, quando não diagnosticados, afetam o aprendizado e podem até ser causa de evasão escolar. Esses dados demonstram a necessidade do check-up oftalmológico antes da volta às aulas.

Até mesmo antes da pandemia, especialistas orientaram que sempre foi recomendado realizar a consulta oftalmológica de rotina, pois é essencial para qualquer pessoa. É através da consulta que é possível diagnosticar e tratar precocemente problemas ou distúrbios da visão que possam vir afetar diretamente o desempenho escolar, se tratando de crianças e adolescentes.

Jornal Midiamax