Cotidiano

Após 31 anos, mãe encontra em Campo Grande filha que saiu de casa para procurar trabalho

Uma história que começou em 1989 ganhou um desfecho feliz após anos de angústia de uma mãe que não tinha mais contato com a filha. No dia 2 de março, após 31 anos, a paraguaia Hermelinda Cáceres, que hoje vive em Pedro Juan Caballero, conseguiu contatar sua filha há tempos desaparecida, colocando fim ao sentimento […]

Fábio Oruê Publicado em 08/03/2021, às 16h00 - Atualizado em 09/03/2021, às 16h07

Dona Hermelinda e a filha (ainda pequena), no Paraguai. (Foto: Arquivo Pessoal)
Dona Hermelinda e a filha (ainda pequena), no Paraguai. (Foto: Arquivo Pessoal) - Dona Hermelinda e a filha (ainda pequena), no Paraguai. (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma história que começou em 1989 ganhou um desfecho feliz após anos de angústia de uma mãe que não tinha mais contato com a filha. No dia 2 de março, após 31 anos, a paraguaia Hermelinda Cáceres, que hoje vive em Pedro Juan Caballero, conseguiu contatar sua filha há tempos desaparecida, colocando fim ao sentimento de perda guardado.

O Jornal Midiamax conversou com a neta da dona Hermelinda, Edilene Centurión, que confirmou que a tia, Vicenta Isabel Cáceres, foi encontrada com a ajuda profissional, que a localizou em Campo Grande. Porém, por conta da pandemia, ambas ainda não conseguiram se encontrar pessoalmente, mas mantem contato.

De acordo com carta escrita pela dona Hermelinda, em 1º de setembro de 1989, Vicenta, aos 17 anos, saiu de casa para poder encontrar um trabalho. “Se você soubesse, minha filha, que aquele dia seria o último abraço que você me daria, o último beijo que minhas bochechas sentiriam, o último sorriso que eu veria em seu rosto, eu nunca teria te deixado ir, eu te abraçaria tão apertado no meu peito para nunca mais te deixar ir”, diz a carta, originalmente escrita em espanhol.

A senhora descreve na carta que esperava o retorno da filha e chorava enquanto orava pedindo que Deus protegesse e guiasse os passos de Vicenta. “Todo dia 19 de julho, no seu aniversário, sem você estar comigo, eu chorava é clamava por você, onde você está minha filha? O que eles fizeram com você? Quem sabe seus passos? Ninguém tinha as respostas, ninguém sabia de nada, você nunca apareceu, você não voltou”, lembrou.

A informação era que Vicenta, hoje com 49 anos, estava em Porto Murtinho, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, mas a pista não deu resultados. “Já não sou a mesma de antes, as minhas forças vão-se esgotando, o tempo deixou as suas consequências para mim. Hoje, em tempos de pandemia, eu me cuido mais, porque tenho uma missão antes de deixar este mundo: ter você de novo meus braços […] eu não perco a fé que meus olhos vão te ver de novo, antes de eu partir e descansar este coração que todos os dias te procura”, finaliza.

Não há informações sobre como o profissional chegou até Vicenta em Campo Grande, mas o sonho de dona Hermelinda de encontrar a filha foi realizado após tantos anos e hoje ambas tem uma a outra e, em breve, devem se encontrar.

O Jornal Midiamax não conseguiu contato com Vicenta, para comentar sobre a distância entre mãe e filha durante os anos separadas, mas está aberto a conversa.

Jornal Midiamax