Você sabia? Mais de 200 espécies correm risco com desmatamento do Parque dos Poderes

"Sem essas áreas conservadas, espécies tendem a desaparecer", diz bióloga

Sede do poder estadual e pista de caminhada durante os fins de semana, o Parque dos Poderes é um dos símbolos de Campo Grande. Quem passa por lá, consegue observar muitos quatis, mas o que pouca gente sabe é que o Parque é a casa de diversas espécies de animais. A lista é grande e inclui até espécies ameaçadas de extinção. Estes animais estão em risco com a possibilidade de desmatamento do Parque.

(Foto: Divulgação)

Para divulgar e informar a população sobre a variedade de espécies que estão em risco, um movimento de ambientalistas resolveu divulgar imagens nas redes sociais mostrando os animais ameaçados. Nos posts, o animais pedem socorro. “Você sabia que com o desmatamento previsto no Parque dos Poderes, a minha vida está em perigo?”, dizem aves, répteis e mamíferos.

A bióloga e educadora ambiental, Simone Mamede, confirma que o Parque dos Poderes abriga muitas espécies, muitas vezes desconhecidas por quem frequenta o local. Ela participa do movimento S.O.S. Parque dos Poderes, que envolve várias instituições, entre elas o Instituto Mamede. O movimento surgiu a partir do avanço do desmatamento no Parque dos Poderes e a preocupação aumenta após o fim do tombamento do local.

O Complexo do Parque dos Poderes abriga mais de 230 espécies de aves, sendo que algumas são exclusivas do Cerrado, como o soldadinho e o chorozinho-de-bico-comprido. Entre as espécies de aves encontradas no local, há ainda algumas das maiores aves de rapina do Brasil, como o gavião-pega-macaco e gavião-de-cabeçacinza, que precisam de uma extensa área conservada para sobreviver. O local ainda abriga uma espécie ameaçada de extinção, que é a águia-cinzenta.

Foto: Divulgação

Mamede explica que Mato Grosso do Sul ainda não tem uma lista de espécies ameaçadas, entretanto, é preciso considerar que os animais que vivem no Parque estão em risco. “Sem essas áreas conservadas, essas espécies tendem a desaparecer, o que acarretaria uma perda irreparável. O desmatamento do Parque dos Poderes põe em risco a sobrevivência destes animais”.

Além das aves, o Complexo do Parque dos Poderes ainda abriga uma rica fauna de mamíferos, que inclui cutia, tatu-galinha, tatu-peba, sagui-do-tufo-preto, tamanduá-mirim, e espécies ameaçadas, como o tamanduá-bandeira.

“A responsabilidade em manter habitats saudáveis e suficientes para a manutenção dessas espécies é uma atribuição do poder público. A intervenção coloca em risco a sobrevivência de inúmeras espécies de animais que vivem no Complexo”, pontua.

Desmatar para construir estacionamento

O decreto n.º 606 que havia sido aprovado em 2018 assegurando a preservação da área foi derrubado pelos deputados estaduais em votação na ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) na penúltima sessão do ano de 2019. A medida veio após anúncio dos planos do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) de construir um prédio e estacionamento no local.

Um novo projeto de lei foi apresentado na última quinta-feira (6) na tentativa de proteger a área dos planos do governador. “O processo em tramitação no Imasul [Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul] indignou e provocou a reação de movimentos organizados da sociedade civil, que não admitem mais nenhum tipo de agressão contra o meio ambiente, em especial ao patrimônio histórico, artístico e cultural dos sul-mato-grossenses”, declarou o deputado estadual Pedro Kemp (PT), autor da proposta.

(Colaborou Danúbia Burema)