VÍDEO: Por renda extra, entregadores de bike criam ‘grupo de apoio’ para driblar dificuldades

Jovens se uniram e criaram grupo para ajudar os colegas em apuros

Com uma promessa de praticidade e rapidez, os aplicativos de delivery têm se tornado cada vez mais populares em Campo Grande. São pelo menos quatro opções de aplicativos disponíveis, que têm sido uma fonte de renda extra para quem já trabalha ou estuda durante o dia. Entre os entregadores, há aqueles que trabalham de bike, uma função ainda mais desafiadora em uma cidade de poucas ciclovias e motoristas impacientes. Para contornar as dificuldades, eles decidiram se unir em um grupo de apoio.

O trabalho não é fácil, mas para quem tinha uma bicicleta encostada em casa e contas para pagar, a função de entregador se tornou uma oportunidade. Foi assim para o jovem aprendiz Vinícius dos Santos, de 19 anos. Ele conta que ingressou na rotina de entregador para se ocupar durante o recesso no trabalho de aprendiz.

O ofício, que deveria ser temporário, acabou virando rotina. Todos os dias, ele sai do trabalho e passa em casa para pegar a bike e a mochila. “Começou assim, um dia eu passei aqui [na Afonso Pena] e vi os meninos trabalhando com entrega. Perguntei como fazia e entrei nessa também”, relata.

Diariamente, Vinícius pedala do Jardim Jaci até o centro de Campo Grande para trabalhar como entregador de bike. Por volta das 18h30, os pedidos já começam a chegar. Geralmente, são pessoas que pedem lanche, pizza ou uma compra no supermercado. Tem até quem peça para que o entregador faça um saque no banco, vale tudo para não sair de casa.

Apesar da incerteza sobre a renda a cada dia e da falta de direitos trabalhistas, a maioria dos entregadores encara os aplicativos como um bico. Para Vinícius, os aplicativos trazem uma oportunidade de renda extra no final do mês e a flexibilidade de horários. “A vantagem é que você trabalha o tempo que você pode, tem um ganho razoável e faz atividade física”.

Mesmo com a dupla jornada, Vinícius é um rapaz otimista e dificilmente reclama, mas quando estimulado confirma que sim, há pontos negativos no trabalho com os aplicativos de delivery. “A desvantagem é ficar ‘refém’ dos aplicativos, você pode vir aqui e ficar à disposição a noite inteira e só ter três corridas. Em dias assim, não compensa, mas a gente fica sujeito ao aplicativo mesmo”.

Entregadores são em sua maioria jovens, entre 18 e 20 anos. (Foto: Leonardo de França)

Os entregadores de bike são, na maioria das vezes, muito jovens. Gabriel Luiz, de 19 anos, conta que trabalha pela manhã e faz entregas durante a noite. Ele sai de casa, na Vila Nogueira, quase todas as noites para fazer entregas e garantir um extra de cerca de R$ 500 mensais. “É para complementar a renda. Eu trabalho mais a noite mesmo, mas no fim de semana também venho na hora do almoço, geralmente tem bastante pedidos”, afirma.

A rotina do estudante Matheus Batista, de 18 anos, não é diferente. Ele conta que aproveitou o recesso para trabalhar como entregador e que tem uma carga horária de cerca de três horas por noite. “Dá para tirar um dinheiro extra, isso me ajuda a pagar as contas. Num dia muito movimentado e se eu trabalhar bastante, consigo fazer uns R$ 50 por dia”.

Na rotina de trabalho durante a noite, os entregadores enfrentam uma série de dificuldades, que inclui os riscos no trânsito, o perigo de assaltos e até os buracos nas ruas. Matheus conta que ao passar em um buraco, acabou furando o pneu, fato que chamou a atenção dos colegas sobre a necessidade de união. “Quando o pneu da minha bicicleta estourou, me ajudaram. Agora a gente está sempre unido, ficamos sempre juntos”, diz.

Vinícius explica que o grupo de entregadores se formou no WhatsApp. Eles conversam e compartilham a localização ao vivo. Com qualquer sinal de enrascada, é só acionar os colegas com o pedido de ajuda. “Montamos esse grupo de apoio e está dando certo. Se alguém fura o pneu, a gente olha a localização e vai atrás, com o kit de manutenção. Se tiver muito tarde, também podemos pedir apoio para ir junto na entrega, pois pode ter um assalto”, relata.

Os contratempos na rotina de entregador não são poucos, mas os jovens acreditam que tudo pode ser contornado com empatia e companheirismo. “Já tivemos casos de taxistas pararem para ajudar a arrumar a bicicleta, dá para ter uma empatia. Em alguns bairros é perigoso, a gente tem medo de roubar o celular, mas nos ajudamos sempre”, ressalta Vinícius.