TCE diz que número de mortes no HRMS está dentro do normal, mas pede solução para ‘caos’

Tribunal recomenda que o hospital resolva os problemas de falta de medicamentos, insumos e de pessoal

Uma auditoria realizada pelo TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) concluiu que o número de 4 mortes diárias no HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) não representa um ‘aumento substancial’. O Tribunal recomenda que o hospital faça a compra de medicamentos e insumos e ainda resolva o déficit de profissionais.

O relatório foi elaborado pela equipe técnica da Divisão de Fiscalização de Saúde do Tribunal ainda em novembro, porém o documento só foi adicionado ao processo nesta terça-feira (7). O Tribunal analisou o número de óbitos por meio do Datasus e a taxa de mortalidade no HRMS teve variação entre 7,81% e 8,51% entre 2013 e 2016, ou seja, o maior índice registrado pelo Hospital foi em 2016.

“A equipe de fiscalização conclui que houve picos de óbitos em diversos setores em anos pretéritos, mas que o ano de 2019 não registrou um substancial aumento no número de mortes, de forma que o alarde gerado pela imprensa local foi desprovido”, pontua o relatório.

Além disso, o TCE ainda ressalta que, conforme o site Compromisso com a Qualidade Hospitalar, a taxa de mortalidade do Regional fica entre 29° ou 29° lugar, entre 31 hospitais do mesmo porte. “As altas taxas de mortalidade em um hospital não refletem, necessariamente, problemas na qualidade da assistência prestada ao paciente”.

Após a auditoria, o TCE destaca que a falta de material, medicamentos e de profissionais é um problema que já acontece há pelo menos quatro anos no Hospital Regional.  A equipe de Fiscalização ainda recomenda a inclusão no contrato de gestão do HRMS com o município as metas de taxa de mortalidade. Outra recomendação é de que o HRMS resolva a falta de insumos, medicamentos e pessoal.

MPMS aguarda resposta do Regional

A 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que investiga a denúncia de falta de materiais básicos no HRMS, expediu ofício à diretoria do hospital para que seja prestado esclarecimentos sobre a compra de materiais. O hospital tem 20 dias úteis para responder a promotoria.

Conforme as conclusões de um relatório após Notícia de Fato instaurado em dezembro, a promotora que cuida do caso, Daniela Cristina Guiotti, solicitou os esclarecimentos à unidade de saúde. A apuração tem como foco principal verificar a denúncia de falta de materiais básicos no hospital, gerido pelo Governo do Estado, e que impedem a realização de exames e tratamentos. Entre os procedimentos que ficaram restritos, estão biópsia guiada por radioimagem, biópsia de tecido neoplásico e procedimentos de nefrostomia percutânea interna e externa, tanto para pacientes adultos como infantis.

4 mortes por dia

Passando por uma crise financeira e administrativa que resultou em uma média de 132 mortes por mês e também na mudança da gestão, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) e a SES (Secretaria de Estado de Saúde) são alvo de investigação aberta pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

São diversas as reclamações feitas por pacientes e familiares referentes aos problemas encontrados no hospital. Em novembro foi apresentada a nova diretora do HR, a médica Rosana Leite de Melo, que é servidora de carreira do local e especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. Ela substituiu Márcio Eduardo de Souza.

Apesar do número alto de mortes registrados – são 4,4 por dia, na média -, o Governo do Estado afirmou na época que o número é considerado normal e está dentro da média histórica dos últimos nove anos. Em novembro, foi anunciado mais uma vez pela SES investimento de R$ 55 milhões na estrutura do hospital, que apresentou problemas no elevador, piolhos de pombo nos aparelhos de ar condicionado, ar condicionados estragados e reclamações sobre a alimentação aos pacientes e funcionários.

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