Sensação térmica nos 40°C: Saiba como evitar problemas de saúde durante o calorão

Em MS média da sensação térmica foi de 39°C, algumas cidades chegaram aos 43°C

Com temperatura máxima média de 36°C, a população sul-mato-grossense tem passado por maus bocados para andar na rua no calorão. Desmaios, queda de pressão, desidratação são muito comuns nessa época do ano, e alguns cuidados são importantes para evitar o mal-estar.

A onda de calor vem atingindo o Estado desde o mês de dezembro de 2019 e deve permanecer até o final do verão, apesar das possíveis chuvas, comuns nessa época do ano. Em algumas cidades a sensação térmica chegou aos 42,9°C, como Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande, onde a temperatura máxima chegou aos 39°C na quinta-feira (16), de acordo com o meteorologias Natálio Abrão.

Em Mato Grosso do Sul, entre os dias 21 de dezembro de 2019 e 17 de janeiro de 2020 foram atendidas 594 ocorrências em razão do calor, do total 171 em Campo Grande e 423 no interior do Estado. Entre os casos mais comuns estão mal súbito, desmaios, insuficiência respiratória, infarto, crise renal e derrame.

De acordo com as ONU (Organização das Nações Unidas), a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e OMS (Organização Mundial da Saúde), é preciso estar preparado para os impactos na saúde humana, que inclui a possibilidade de óbito.

Isso porque, com o calor excessivo, é possível que o estresse aumente, além dos riscos de incêndios florestais, perda de colheitas, cortes de energia elétrica entre outros problemas. Em Mato Grosso do Sul a previsão é de que no interior as temperaturas atinjam os 39°C, com a sensação térmica chegando aos 43°C. Na Capital a máxima fica na casa dos 36°C e a sensação tem atingido os 41°C.

Qual impacto na saúde humana?

Calor intenso como o desta estação acendem um sinal vermelho, um alerta para que sejamos vigilantes em relação à própria saúde. A OPAS e a OMS destacam que a exposição ao calor excessivo pode causar sintomas graves como insolação – causada pela incapacidade do corpo de regular a temperatura. Os sinais são pele quente, seca e vermelha, pulsação rápida e forte, náusea, cãibras e perda de consciência que podem levar à morte.

As entidades ainda destacam que a maioria das mortes por conta do calorão são causadas pelo agravamento de doenças infecciosas ou crônicas como as cardiopulmonares, renais, endócrinas e psiquiátricas. Vale lembrar que as reações ao calor variam de pessoa para pessoa, por isso é importante prestar atenção aos alertas do corpo.

Alimentação

As altas temperaturas também exigem cuidado redobrado com a alimentação, a comida pode estragar com facilidade e o calor, muitas vezes, nos faz perder o apetite. Algumas dicas que podem ajudar com a alimentação no período são:

  • Evitar alimentos contendo cremes ou maionese;
  • Comer fruta em todas as refeições e lave bem antes de consumi-las;
  • Cozinhar os alimentos, especialmente ovos;
  • Não descongelar os alimentos à temperatura ambiente;
  • Optar por carnes e pescados cozidos;
  • Incluir legumes e verduras no seu cardápio, preferencialmente crus;
  • Dar preferência aos grãos e produtos integrais, como arroz, pão e macarrão, que são digeridos mais lentamente;
  • Beber muita água, mesmo se estiver sem sede, e tenha cuidado com a origem dela;
  • Lavar as latinhas de bebidas antes de abri-las; e
  • Abusar dos sucos naturais (sem açúcar), além de picolés, raspadinhas e sacolés. Dica:
    cenouras e beterrabas cruas ficam saborosas nos sucos e ainda ajudam a adoçar.

Cuidados gerais

  • Evitar exposição na rua e praticar atividade física ao ar livre entre 10 e 16 horas – ou períodos de maior incidência dos raios solares;
  • Lavar as narinas e os olhos com soro fisiológico várias vezes ao dia;
  • Arejar a casa durante o dia: entre 10 e 16 horas é o período de maior concentração de calor. O uso de umidificadores pode ser útil nesse período, mas cuidado! A umidificação excessiva do ambiente pode facilitar o mofo e a proliferação de ácaros e piorar os quadros respiratórios, principalmente para quem é alérgico. O uso desses umidificadores não deve ultrapassar 2 horas!
  • Manter a casa fresca, cobrindo janelas durante o dia e usando ar-condicionado ou ventiladores nas horas mais quentes;
  • Crianças e pessoas idosas não devem ser deixadas sozinhas dentro de veículos estacionados;
  • Banhos quentes e em locais com correntes fortes de água devem ser evitados.

Em caso de doença crônica e uso contínuo de medicamentos a pessoa deve consultar um médico.

(Guilherme Cavalcante | Midiamax)

Em caso de sintomas, o que fazer?

Pessoas fisicamente ativas estão propensas a exaustão por conta do calor, principalmente as que trabalham expostas ao sol e com serviços braçais, por isso quando os sintomas começaram a aparecer é importante buscar tratamento, ou a condição pode piorar desenvolvendo uma insolação.

As atividades devem ser interrompidas imediatamente e a pessoa com sintomas deve procurar um ambiente fresco para se recuperar, uma ambulância deve ser chamada em casos mais graves para que haja o encaminhamento para uma unidade hospitalar onde serão feitos os cuidados.

Vale destacar que a insolação é uma emergência médica com risco de morte. A OPAS e a OMS recomendam usar qualquer meio físico para facilitar o resfriamento (como resfriar a cabeça e o corpo com água e “abanar” a pessoa para reduzir a temperatura).

Sinais de alerta

Exaustão por calor: transpiração intensa; pele fria e pálida; temperatura abaixo de 40ºC; tontura ou desmaio; dor de cabeça; respiração acelerada; pulso rápido e fraco.
Insolação: pele quente, vermelha e seca; temperatura acima de 40ºC; dor de cabeça latejante; perda de consciência ou coma; pulso rápido e forte.

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