Patrões falsificam atestado de trabalho para funcionários usarem ônibus na quarentena

Fraude possibilita que empresas não providenciem transporte e que funcionários sejam induzidos a violar decreto municipal

Empresas de Campo Grande encontraram uma maneira de burlar o decreto municipal que destina apenas a trabalhadores da saúde a utilização do transporte coletivo da Capital como medida de contenção do novo coronavírus, causador da Covid-19.

De acordo com documentos obtidos pelo Jornal Midiamax, funcionários de pelo menos duas empresas que terceirizam serviços receberam das chefias ofícios falsos que “atestam” que os colaboradores trabalham em hospitais e clínicas da rede particular da cidade.

A fraude já estaria ocorrendo desde a terça-feira (24). Com o documento em mãos, os trabalhadores poderiam ser transportados pelas linhas de ônibus que estão circulando, mesmo sem serem profissionais do setor de saúde. A medida desobriga, por exemplo, que as empresas providenciem o transporte dos funcionários, como vans.

Segundo os documentos a que o Jornal Midiamax teve acesso, os ofícios apontam que funcionários de outras empresas trabalhariam em clínicas, centros de exames e até em hospitais da rede particular. O nome dos estabelecimentos e empregadores envolvidos será preservado a fim de garantir anonimato das fontes e o dossiê será encaminhados às autoridades.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande, a fim de saber como ocorre a fiscalização dos usuários do transporte público durante a pandemia e que sanções estão previstas e aguarda posicionamento.

Só para a saúde

Na última segunda-feira (23), a Agetran (Agência Municipal de Trânsito) pontuou que a logística da circulação das linhas foi definido após uma reunião no sábado (21) envolvendo todos os setores de saúde da rede pública e privada, que se comprometeram a enviar lista dos trabalhadores que necessitariam do serviço.

De acordo com a Agência, a lista foi encaminhada e, em cima disso, foi organizado o itinerário e a quantidade de ônibus necessários para atender todos esses trabalhadores, “salientando que o serviço funcionará somente nos horários de entrada e saída dos turnos manhã, tarde e noite”. Ficaria a cargo dos chefes de setores de cada uma das instituições informar internamente os horários e locais de embarque e desembarque.

A medida, vale destacar, foi destinada apenas trabalhadores da área da Saúde, da rede pública e privada, munidos dos devidos crachás de identificação, conforme acordado em reunião.

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