Moradores na região da Ernesto Geisel convivem há décadas com medo dos alagamentos

A parede de contenção do rio Anhanduí cedeu, mas moradores estavam ainda mais preocupados com alagamentos nas casas

Um dos pontos críticos de estragos causados durante a chuva nesta quinta-feira (20) foi a avenida Ernesto Geisel, na região do Shopping Norte Sul Plaza. A parede de contenção do rio Anhanduí cedeu, mas moradores contam que estavam ainda mais preocupados com a possibilidade de alagamento dentro das casas.

Dona Glória disse que ficou sem energia em casa até as 18 horas. (Foto: Marcos Ermínio)

A pensionista Glória Diniz, de 73 anos, afirma que a água entrou nas casas de alguns moradores no Cohafama e o bairro ficou sem luz até as 18 horas. “Vou ser sincera, eu dou sorte porque minha rua é descida e não pega água, mas na rua do lado eu já via a água correndo e entrando nas casas”, relata.

A moradora conta que só viu que a parede de contenção do rio havia caído nesta sexta (21), já que na quinta-feira (20) nem conseguiu sair de casa.

O gráfico Iraci Pereira, de 69 anos, mora próximo à Ernesto Geisel e conta que quando as chuvas são muito fortes, os bueiros entopem, o rio Anhanduí enche e a água chega até o bairro. Ele mora em uma rua sem saída, que tem um nível abaixo da avenida Ernesto Geisel.

Sr Iraci conta que alagamentos acontecem quando chuva é forte. (Foto: Dândara Genelhú)

“Nesses dias de chuva, chegou a alagar três carros que estavam estacionados na rua. Não é sempre que acontece, mas quando a chuva vem de uma vez só, alaga mesmo”.

Trecho danificado na Ernesto Geisel

A Prefeitura de Campo Grande inicia nesta sexta-feira (21) a recuperação das duas placas de concreto da parede de canalização da margem direita do Rio Anhanduí (sentido centro-bairro) que caíram com a força da chuva desta quinta-feira (20). Essa estrutura foi construída há mais de 40 anos, e as placas de concreto estão sendo reforçadas de forma que se prenderão ao talude.

As equipes da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), que prontamente interditaram o local, vão trabalhar na recuperação dos danos, com reerguimento das placas, uso de trilhos para prender as placas ao barranco do rio, além da recomposição do talude de contenção. Esta mesma solução foi adotada em trechos do canal do Córrego Segredo, onde o mesmo problema aconteceu. Essa fase ainda está em finalização e depende de recursos federais, bem como de tempo favorável para sua execução.

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