Cotidiano

Servidores de MS que não perderam renda na pandemia devem evitar prorrogar consignados, sugere economista

Recorrer à recém-aprovada lei estadual que prorroga os empréstimos consignados dos servidores por 90 dias pode ser uma grande armadilha para servidores estaduais, segundo avaliação do economista-chefe da Real Brasil Consultoria, Fernando Abrahão. Isso por que, segundo o economista, até o momento não foi ventilada, efetivamente, perda de salário – os salários referentes a março […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 07/05/2020, às 09h45 - Atualizado em 08/05/2020, às 07h21

Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Canal Piloto)
Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Canal Piloto) - Imagem ilustrativa. (Foto: reprodução/Canal Piloto)

Recorrer à recém-aprovada lei estadual que prorroga os empréstimos consignados dos servidores por 90 dias pode ser uma grande armadilha para servidores estaduais, segundo avaliação do economista-chefe da Real Brasil Consultoria, Fernando Abrahão.

Isso por que, segundo o economista, até o momento não foi ventilada, efetivamente, perda de salário – os salários referentes a março e abril foram adequadamente pagos, apesar do Governo de MS lançar incertezas em relação ao mês que vem. Para Abrahão, a conta que ninguém faz é que o adiamento das parcelas por três meses terá incidência de juros. Na verdade, é como se a dívida fosse recalculada e o pagamento fosse feito dali a 90 dias.

Servidores de MS que não perderam renda na pandemia devem evitar prorrogar consignados, sugere economista
Para economista, não faz sentido que servidores que não tiveram renda afetada aderirem à suspensão | Foto: Divulgação | Real Consultoria

“Na verdade, isso é a repactuação da dívida com dilação de prazo. As três parcelas serão pagas no final, mas com o incremento de juros. Isso pode até ser interessante a quem está quase pagando essa dívida. O impacto é bem menor. Mas, para quem tem a dívida ainda a médio e longo prazo, haverá um grande impacto nos juros”, considera o economista.

A orientação de Abrahão é que, antes de contratar a suspensão, o servidor precisa pedir uma simulação de qual seria o resultado final. “Tem que ver se os juros vao permanecer de forma ajustada ou se vao subir e se tem alguma alteração na matriz contratual”.

Foi o que fez o servidor Anderson dos Santos. Adiar três parcelas no valor de R$ 590 incrementaria a dívida em R$ 4 mil, até a quitação. “Não vi vantagem. Acredito que muita gente pode cair nisso como algo bom, mas não é. Era para beneficiar o servidor, mas quem ganha é o banco”, considerou.

A mesma surpresa foi encontrada pela professora Ana Maria Silva. “Meu consignado aumentava em R$ 6 mil, um valor muito alto, e conversei com meu gerente e consegui outra facilidade”, comenta. Ela se refere à portabilidade bancária da dívida, que antes era do Banco do Brasil e foi para o Bradesco, onde a servidora também tem conta.

“A portabilidade bancária é uma boa oportunidade aos servidores que forem bons pagadores. Isso tudo vai depender do score (avaliação dos bancos quanto ao perfil de pagador do servidor) e ele pode conseguir essa dívida em outro banco, a juros menores”, comenta o economista, que ainda faz um alerta.

“Não é porque o crédito está disponível que o servidor deve absorvê-lo. Isso é uma questão de ter, ou não, a demanda. Antes de aceitar, a orientação é conversar com o agente financeiro, que pode até conceder uma carência para começar a pagar a conta novamente”, conclui.

Jornal Midiamax