Na Justiça, Tereza luta por salários de 57 anos como doméstica em Campo Grande

Tereza foi adotada aos 6 anos de idade, mas com morte e aposentadoria dos ‘patrões’, filhos e netos pedem aluguel de casa.

O que parece enredo de uma trama de novela, atualmente tramita na Justiça do Trabalho de Mato Grosso do Sul. Doméstica por 57 anos, Neli Terezinha de Souza Machado Rodrigues, de 63 anos, relata que nunca recebeu salário e foi expulsa da casa que considerava lar, no bairro Taveirópolis, em Campo Grande.

A filha de Tereza, Alessandra Machado Rodrigues, de 30 anos, é quem encoraja a mãe lutar pelos seus diretos. Ela conta que aos seis anos de idade a mãe foi ‘adotada’, por uma família para fazer companhia aos filhos do casal. Ele um militar e ela dona de casa.

“A senhora a encontrou num , onde a minha avó trabalhava de doméstica e pediu para ficar com ela. Desde pequena passou a fazer pequenos serviços, como babá, naquela época era normal fazer isso. Quando ela cresceu, assumiu outras responsabilidades, como limpar a casa, passar e cozinhar”, disse.

De criança a vida adulta, dona Tereza não pode estudar e se alfabetizar, pois a família precisava de alguém que ficasse 24 horas cuidando dos filhos e trabalhando nos afazeres da casa. Com 19 anos, a mulher apresentou o atual marido de Neli. “Conheci ele na porta de casa, o senhor me disse ‘fica aqui com sua família’, e continuei trabalhando”, explica Tereza.

Na Justiça, Tereza luta por salários de 57 anos como doméstica em Campo Grande
Tereza ao lado da que a adotou. (Foto: Arquivo Pessoal)

Onze anos atrás, o homem acabou adoecendo e ela passou a ser cuidado. “Ele sofreu um derrame, e fiquei cuidando ele, dava banho, trocava a frauda, dava remédio. Ele morreu e o filho disse que estava na hora de eu pagar aluguel. ”, conta.

Três anos após a morte do patriarca, Alessandra relata que só então a mãe soube da ingratidão daqueles que cuidou por quase toda a vida e foi expulsa da casa que morou por décadas.

“Logo depois, começou a guerra para tirar ela da casa, dizendo que ela não tinha direito a nada, que era empregada e tinha que sair ou pagar o aluguel aos herdeiros. Ela entrou com o processo trabalhista porque estava sofrendo muita humilhação e sendo constantemente ameaçada. Foi aí que ela entendeu que não era da família, mas que foi adotada para ser empregada”, lamenta.

Além de toda dor e constrangimento, Tereza ainda faz serviços para família, pois a que a adotou fica agitada e pede a presença dela. A mulher pede apenas os cinco últimos anos de salário e o reconhecimento do vínculo trabalhista.

“Eu fiquei muito chocada, pois o que serviu todo esse tempo que eu trabalhei e continuo trabalhando, cuidando da mãe deles? Ela não anda e não fala, eu dou comida, banho, cuido. Eu tenho que dormir com ela, pois não tem ninguém. ”

Na Justiça, Tereza luta por salários de 57 anos como doméstica em Campo Grande
(Foto: Reprodução)

Enquanto aguardam a sentença que tramita na 7ª Vara Trabalhista, a Alessandra e alguns familiares criaram uma vaquinha para ajudar a mãe conseguir um novo lugar para morar.

“Ela não tem onde morar e nem condições de se aposentar. Passou a vida toda trabalhando, e agora os filhos e netos do casal querem ela fora da casa. Queremos que a justiça seja feita e que o caso dela seja julgado corretamente. São 57 anos dedicados à família que a criou como fosse filha, mas na verdade nunca foi.

Para conhecer um pouco mais da história e ajudar Tereza através da vaquinha online, clique aqui.

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